São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - sexta-feira 20 de outubro de 2017 - Ano: X - Edição: 3.290 - Visualizações: 18.935.765 - Postagens: 32.192

Globo atira Eduardo Cunha ao mar e adverte Michel Temer para que ele não salve o aliado


Em mais um editorial extraordinário, o Globo, de João Roberto Marinho, atira o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao mar e faz um alerta ao interino Michel Temer, para que ele não tente salvar seu aliado; "Ele precisa se preservar para fazer o que já tem inclusive anunciado, no campo econômico e social", diz o texto; segundo o editorial, a manobra para devolver o processo de Cunha ao conselho de ética, que contou com o aval de Temer (segundo o próprio Globo), é "pornográfica"; "Qualquer Parlamento com um nível mínimo de seriedade não pode ficar inerte diante deste quadro, agravado pela própria crise do país. Manter o mandato de Eduardo Cunha é trabalhar contra os esforços para a imperiosa superação das dificuldade no mais curto espaço de tempo possível", diz o texto

11 DE JULHO DE 2016

O grupo Globo, que foi peça central no processo de ascensão de Michel Temer ao poder, fez um duro alerta ao aliado. Em editorial extraordinário, publicado nesta segunda-feira, João Roberto Marinho adverte Temer e diz que ele não deve se mover para salvar seu aliado Eduardo Cunha.

Segundo o editorial, a manobra para devolver o processo de Cunha ao conselho de ética, que contou com o aval de Temer, é "pornográfica". Leia abaixo:

Editorial: Cunha tem de ser cassado já

É conhecida a enorme dimensão da crise política, cujo encaminhamento para a solução é peça-chave na superação da também histórica turbulência econômica. Inútil esperar que um Congresso nas condições em que se encontra, em particular a Câmara, permita a superação dos obstáculos na rapidez que o país necessita. Neste contexto é que se coloca a perniciosa permanência do deputado Eduardo Cunha como parlamentar. Iludem-se os que consideram a renúncia de Cunha à presidência da Câmara, da qual já estava afastado por decisão do Supremo, a solução final deste problema. Não por acaso, aliados do deputado, tão logo ele comunicou a saída voluntária do cargo, na quinta-feira, começaram a tratá-lo como carta fora do baralho. Balela. Cunha se mantém no jogo, sempre por debaixo da mesa, como é do seu estilo. E para isso renunciou. A tática é antiga no Congresso: renuncia-se a anéis para preservar a mão grande. Não causou surpresa, como noticiado pelo GLOBO, que, logo no dia seguinte à renúncia, Eduardo Cunha estivesse manobrando junto ao PMDB e à "sua" bancada de apaniguados, para influenciar na escolha do sucessor, o que é inaceitável. A conjugação do verbo manobrar é de absoluto conhecimento de Cunha. Prova disso é o recurso para que seu processo de cassação volte ao Conselho de Ética, com base no escandaloso argumento de que ele fora condenado na condição de presidente da Casa, não de deputado, que por enquanto ainda é. É fazer pouco da inteligência alheia. O argumento é tão pornográfico como o de que contas bancárias em nome de "trust" não têm pessoas físicas por trás. Qualquer Parlamento com um nível mínimo de seriedade não pode ficar inerte diante deste quadro, agravado pela própria crise do país. Manter o mandato de Eduardo Cunha é trabalhar contra os esforços para a imperiosa superação das dificuldade no mais curto espaço de tempo possível. O alerta serve também para o Planalto do presidente interino Michel Temer. Ele precisa se preservar para fazer o que já tem inclusive anunciado, no campo econômico e social.


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