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Dilma: a Globo manda, o ilegítimo Temer obedece


"O Globo tem dado todos os indicadores do plano de governo que o presidente provisório quer para o país. O Globo dá as diretrizes que o ilegítimo vai seguir”, disse ontem a presidente Dilma Rousseff, em entrevista à revista Fórum; um dos exemplos, diz ela, foi o editorial do jornal da família Marinho que cobrou de Temer o fim do ensino gratuito nas universidades federais

3 DE AGOSTO DE 2016

Da Rede Brasil Atual – “Ao congelar gastos na saúde e na educação, estão supondo substituir o Estado pelo gasto privado. Nunca. Só uma criança para não perceber que nosso país precisa do ensino público”, afirmou hoje (2) a presidenta afastada, Dilma Rousseff (PT), em entrevista à revista Fórum, concedida no Palácio da Alvorada, em Brasília. A fala fez referência ao Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 241/16, que limita os gastos públicos para despesas primárias nos três poderes por um período de 20 anos.

No mesmo sentido da medida, que foi encaminhada ao Legislativo pelo presidente interino, Michel Temer (PMDB), argumentou editorial do jornal O Globo, do dia 24 de julho. Intitulado Crise força o fim do injusto ensino superior gratuito, o periódico carioca apontou para a necessidade do fim da gratuidade, porém, para Dilma, "existem certas equações que o mercado não resolve, ao contrário, ele radicaliza".

“O editorial é equivocado. O Globo tem dado todos os indicadores do plano de governo que o presidente provisório quer para o país. O Globo dá as diretrizes que o ilegítimo vai seguir”, afirmou a presidenta.

Dilma classificou como gravíssima as propostas de alterações radicais do governo interino. “O fato de uma pessoa ter renda baixa, a maioria da população brasileira, e não conseguir pagar uma universidade privada. Precisamos resolver, com o ProUni e o Fies, por exemplo. Não concordo que haja essa mudança radical da privatização do ensino. Na verdade, acho que diversas propostas são terríveis, além de ser um governo composto por homens brancos e ricos. Há um centro no golpe. Diante da crise internacional, que começou em 2008, há um conflito: quem vai perder mais e quem vai ganhar menos”, afirmou.

Para a presidenta, existe uma força que utiliza de um processo golpista para aplicar um programa que não seria eleito nas urnas. O objetivo: privilegiar uma classe sobre outra. “A visão mais característica do governo interino é o pato”, disse em relação à campanha símbolo do impeachment, capitaneada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “É um segmento da elite econômica que se expressa na PEC 241, que limita gastos com a população. Na prática, significa que, a cada ano, se você congelar os gastos, teremos uma queda brutal no investimento per capta nestas áreas. E por 20 anos. É uma reforma e não um ajuste. Eles querem tirar recursos de setores que o país mais precisa para crescer e reduzir a desigualdade.”

Questionada pela equipe da Revista Fórum sobre a natureza destas forças, se existe influência externa, Dilma minimizou a teoria. “É possível que se aproveitem do golpe, mas não acho necessário nada externo para ocorrer. As forças são internas, agora, interesses internacionais podem lucrar com o golpe, não tenho dúvidas”, disse. Especialmente, de acordo com a presidenta, em relação ao pré-sal. “Querem diminuir a parcela da União na exploração deste petróleo de qualidade, do qual nós detemos a tecnologia para a exploração”, completou.

Ainda sobre influências externas, a presidenta comentou sobre o escândalo de espionagem envolvendo o governo norte-americano e o Brasil. Dados revelados por Edward Snowden, em 2013, mostram que a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) mantinha um esquema de captura de dados do governo brasileiro. “Na época, buscamos entender bastante como funcionava a NSA e os fatos correlatos. As informações alvo eram estratégicas, sobre tamanho de reservas. Mas não explicitamente conspirações, mas até aonde sei não houve. E também acho que não precisamos de ajuda externa para aplicar golpes”, afirmou.

Arrependimento

Dilma disse estar “completamente arrependida” da aliança que seu partido (PT) fez com o PMDB nas últimas eleições. Ela classifica que o maior erro de estratégia de sua gestão foi não perceber movimentações políticas no partido de Temer. “Com a fragmentação do 'centrão', surge no PMDB uma figura que teve condições de criar uma agenda própria de direita, ultraconservadora e neoliberal. Eduardo Cunha (PMDB) assumiu a hegemonia no partido e, como presidente da Câmara dos Deputados, essa força se deslocou para o Congresso. Esse processo ganha seu desfecho final quando Temer surge como presidente do PMDB”, disse.

A relação de Temer com Cunha foi apontada por Dilma, recordando diálogos entre o senador Romero Jucá (PMDB-RR), na época ministro interino do Planejamento, com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. “As gravações reveladas pelo Machado dizem duas coisas. A primeira é que era necessário mudar o governo para não deixar que as investigações chegassem até eles. A segunda foi: 'Michel é Cunha'. Isso evidencia o processo. Então, o 'rei ficou nu'. Entendo porque o pessoal contra o impeachment começou a chamar os coxinhas de escondidinhos, porque isso foi deixado para trás.”


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