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Dilma sai do impeachment mais forte do que entrou


POR: ALEX SOLNIK | 31/08/2016

O Senado ratificou, hoje, o que estava claro durante todo o processo do impeachment desde a sua abertura, tanto entre os políticos quanto nas ruas, muito diferente do ocorrido em 1992, com Fernando Collor, quando havia unanimidade em torno de sua condenação, em todos os bares, lares e em todas as cabeças.

Havia, no caso atual, todos os sinais, desde o início do processo, há nove meses de que os motivos apresentados – assinatura de decretos de gastos suplementares e o Plano Safra – estavam longe de convencer a todos que 1) eram crimes e 2) eram crimes tão graves a ponto de afastar uma presidente da República do cargo.

No entanto, apesar das dúvidas evidentes em todas as fases o processo foi adiante, embora muito mais fundamentado em elementos políticos do que em jurídicos, arranhando seriamente o texto da constituição que obriga que só se afaste um presidente da República quando há crimes muito bem definidos.

Durante todos os debates, mesmo os que defendiam ardorosamente a deposição dela concordavam numa coisa: que ela é uma mulher honrada e honesta.

É uma contradição e tanto: não se pode ser ao mesmo tempo honrada e honesta e ser criminosa.

Hoje, no dia da votação final, mais uma vez a dúvida voltou à tona. Quando a sentença foi dividida em duas partes, graças a um pedido do PT, que obrigou os senadores a votarem, em primeiro lugar se a presidente deveria ser afastada e, em segundo, se perderia seus direitos políticos e proibição de exercer qualquer atividade pública, os defensores do impeachment ficaram preocupados e tentaram de todas as maneiras derrotar a presidente dos dois quesitos. Em vão.

Na votação do afastamento alcançaram vitória fácil, por 61 a 20, mas, na segunda votação, quando, surpreendentemente, Renan Calheiros declarou-se publicamente a favor de Dilma, os golpistas obtiveram apenas 42 votos contra 36, insuficientes para consumar o golpe por inteiro.

A decepção de Aloysio Nunes Ferreira e de Cássio Cunha Lima foi notória. Ambos queriam esmagar a adversária mais ou menos ao estilo do que os portugueses fizeram com Tiradentes. Não só vão levar um escracho de Temer, principalmente Aloysio, seu líder no Senado – que, por esse motivo, pode até cair – como ganharam uma adversária poderosa.

A primeira consequência é que a defesa ganhou mais um argumento para questionar o resultado, pois verificou-se a existência de dúvida e a legislação é clara a respeito: in dubio pro réu.

A segunda consequência é que Temer fica fragilizado com essa vitória pela metade já que, mantendo seus direitos políticos, Dilma poderá começar amanhã mesmo uma campanha pelo plebiscito e pelas Diretas Já e se torna ainda uma forte candidata para 2018, caso a Lava Jato invista mais fortemente contra Lula, impedindo-o de concorrer.

Se não for candidata a presidente, Dilma poderá concorrer ao Senado, à Câmara dos Deputados, ao governo de seu estado, ou seja, ela não sai completamente derrotada como Collor em 92, muito em função de sua insistência em não renunciar.

E, ao lado de Lula, torna-se a maior líder de oposição a Temer.

O embate político vai extrapolar, sem dúvida, para as ruas que, além do mote "Fora Temer" terão condições de também levantar cartazes "Volta Dilma".

Getúlio, em quem ela se inspira, ao dar um tiro no coração escreveu que saía da vida para entrar na história. Dilma sai da presidência para entrar na oposição a Temer.

Ou seja: Dilma sai do impeachment mais forte do que entrou.


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