São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - segunda-feira 18 de dezembro de 2017 - Ano: X - Edição: 3.349 - Visualizações: 19.638.129 - Postagens: 32.192

Lula em Fortaleza: “fui à ONU para exigir que haja respeito”


Em entrevista à Rádio Jornal O Povo de Fortaleza, nesta manhã, o ex-presidente fez duras críticas à forma como vêm sendo feitas as investigações que envolvem seu nome; "Hoje há um abuso. Eu quero saber o seguinte: é possível fazer uma investigação séria? É possível você colocar a pessoa na cadeia sem condenar nas manchetes de jornais? É possível primeiro provar que a pessoa tem para depois divulgar o nome dela ou é necessário primeiro achincalhar a pessoa para depois provar?", questionou; ele também criticou "vazamentos seletivos" do MP e da PF para a imprensa; "É por isso que fui à Comissão de Direitos Humanos da ONU. Para exigir que haja respeito, a única coisa que eu quero é respeito, o Lula não quer ser tratado diferentemente da pessoa mais pobre desse país"

2 DE AGOSTO DE 2016

O ex-presidente Lula fez duras críticas à forma como vêm sendo feitas as investigações que envolvem seu nome em entrevista concedida na manhã desta terça-feira 2 à Rádio CBN O Povo, de Fortaleza, onde Lula esteve na noite de ontem em evento que oficializou a candidatura da deputada federal Luizianne Lins (PT) à prefeitura. Ele criticou "vazamentos seletivos" e explicou por que entrou com recurso na ONU contra o juiz Sérgio Moro por abuso de poder.

"Hoje há um abuso", disse, em referência à Operação Lava Jato. "'Eu vou vazar de forma seletiva na sexta para a imprensa o que eu quero que seja explorado no fim de semana'. Eu quero saber o seguinte: é possível fazer uma investigação séria? É possível você colocar a pessoa na cadeia sem você condenar nas manchetes de jornais? É possível você primeiro provar que a pessoa tem para depois divulgar o nome dela ou é necessário primeiro achincalhar a pessoa pra depois você provar? E se você não prova não tem mais como salvar aquela pessoa que já foi achincalhada a vida inteira", disparou.

"Hoje a Polícia Federal não investiga, ela acusa, ela denuncia para a imprensa, o Ministério Público vaza coisa para a imprensa, quer investigar e quer julgar ao mesmo tempo. Muitas vezes o juiz fala o que vai fazer antes de ter prova. É por isso que fui à Comissão de Direitos Humanos da ONU. Para exigir que haja respeito, a única coisa que eu quero é respeito, o Lula não quer ser tratado diferentemente da pessoa mais pobre desse país", acrescentou. "Como eu quero o respeito pro mais pobre, eu quero respeito para mim", completou.

Ele disse ser "mentira" o que o ex-senador Delcídio Amaral diz sobre ele em delação premiada, e critica o fato de ter sido essa delação que baseou o indiciamento contra ele pela Justiça Federal de Brasília. "Aí vai o Delcídio fazer uma delação premiada, envolve meu nome numa mentira que é só olhar na cara dele que você sabe que é mentira. E é isso que baseia meu indiciamento", comentou. "Eu como ser humano fico sentido, porque eu exijo respeito e foi por isso que eu entrei na Comissão de Direitos Humanos da ONU", reforçou.

Lula também disse que Michel Temer não age como um presidente interino e que foi "desrespeitoso" com a presidente eleita Dilma Rousseff. "Ele não é um governo interino, ele tomou atitude como se fosse um governo definitivo, como se já tivesse decidido o impeachment, como se a Dilma já tivesse fora definitivamente. Ele começou a mudar tudo e a tomar atitude que não é correta de um presidente interino, mudando cargos no primeiro, no segundo, no terceiro, no quarto escalão. Ele tomou atitude desrespeitosa com a Dilma", disse.

Sobre o processo de impeachment, Lula acredita haver chances de reverter o resultado e anunciou que estará em Brasília na próxima semana para conversar com alguns senadores. "Câmara e Senado não têm nenhum direito de cassar a Dilma por crime de responsabilidade. A Dilma deve ser julgada pelo final do mandato dela e pelo povo, não pelo Congresso", destacou o ex-presidente, lembrando que não há crime provado contra ela. "A gente ainda nem apagou da memória os requícios do golpe militar de 64 e vem aí um outro golpe parlamentar em cima de um governo democraticamente eleito", acrescentou.


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