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O incrível caso dos golpistas espantados com os votos nulos, brancos e abstenções.

Aécio e Temer golpistas

Por: Kiko Nogueira | 31/10/2016 

Abstenções, votos brancos e nulos somaram 32,5% do eleitorado no país, um aumento expressivo com relação a 2012 (26,5%). Em São Paulo, no Rio e Belo Horizonte, essa votação foi maior que a dos eleitos João Doria, Marcelo Crivella e Kalil.

Segundo Gilmar Mendes, presidente do TSE e opinador oficial da nação, há um “estranhamento” entre o eleitor e os políticos.

“Alguma coisa se traduz nessa ausência ou também na opção pelo voto nulo”, disse numa coletiva. No primeiro turno, Michel Temer afirmou que o alto índice era “uma mensagem à classe política”.

Aécio, desesperado com mais uma derrota, desta feita de seu homem em BH, João Leite, escreve na Folha que “nada mais inútil e manipulador que a simples negação da política, já que esta se constitui no território do debate e do diálogo que sustentam o ambiente democrático”. É uma cacetada pouco sutil em Alckmin e Doria.

É sintomático que os protagonistas de um impeachment cascateiro venham agora a público dar lições de democracia e fazer, numa boa, leituras em que não avaliam o próprio papel nesse desencanto generalizado.

Ora, depois que 54 milhões de votos foram atirados no lixo em meio a um processo vexaminoso, como convencer as pessoas de que, agora, vai ser para valer?

O sujeito que votou num projeto em 2014 está vendo uma outra agenda tomar conta sem que ele seja consultado. Para que se dar ao trabalho de ir à urna?

Na miríade de explicações, estão conseguindo culpar Lula e Dilma. Valdo Cruz, da Globo News, e o velho e ruim Ricardo Noblat, entre outros, conseguiram enxergar um “simbolismo” na ausência de ambos em suas sessões eleitorais.

Ele ficou em casa, em São Bernardo do Campo, ela em Porto Alegre. Lula completou 70 anos e não precisava. Dilma foi visitar a mão em Belo Horizonte e vai ter de justificar.

Na verdade, o candidato de cada um não estava na disputa, daí o forfait. Erraram? Sim. Qual a intenção do ato? Eles podem responder.

Mas foi um “mau exemplo”, diz Cruz. “Deles esperava-se o contrário, o de mostrar a importância de uma eleição.”

Se a ideia era fazer ironia, ponto para o autor. O pior, no entanto, é que ele estava falando sério. Enquanto olham obsessivamente para Dilma, Lula e o PT, a Igreja Universal toma conta do Rio de Janeiro. Amém.


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