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Um dos “suspeitos de terrorismo” morre na prisão e o governo lava as mãos


Por Kiko Nogueira | 16/10/2016

A Operação Hashtag, uma cortesia do ministro da Justiça Alexandre de Moraes e do governo que o patrocina, produziu sua primeira vítima fatal.

Valdir Pereira da Rocha, de 36 anos, foi espancado por um grupo de detentos da Cadeia Pública de Várzea Grande, em Cuiabá, e teve morte cerebral.

Rocha foi um dos dez homens presos pela Polícia Federal em julho sob a alegação de que teriam ligação com o Estado Islâmico. Um deles era criador de galinhas. Rocha se entregou.

O juiz federal Marcos Josegrei da Silva aceitou denúncia contra oito deles, sendo que Rocha não estava na lista.

No dia 16 de setembro, a Justiça Federal determinou que ele fosse solto e usasse tornozeleira eletrônica. Havia, contudo, uma ordem de regressão de pena por conta de outro crime pelo qual fora condenado.

Tinha sido transferido para Várzea Grande um dia antes, na quinta (13).

Valdir Pereira da Rocha não poderia ser “suspeito de terrorismo”, como o rotularam, porque não houve ato. Era suspeito de planejar. E se ficar comprovada sua inocência, na remota hipótese dessa investigação ser levada a cabo? Como fica?

Alexandre de Moraes dará explicações à família? Ficará por isso mesmo?

A duas semanas da Olimpíada, Moraes armou um circo e gastou tempo, dinheiro público e a inteligência alheia para explicar que o Brasil, a partir daquele momento, era um lugar mais seguro.
O ministro da Justiça anuncia o resultado da Operação Hashtag

O ministro da Justiça anuncia o resultado da Operação Hashtag



“Tudo leva a crer que eles jamais agiriam de maneira séria”, admitiu sobre os elementos capturados. “A chance de ataques nos Jogos é mínima”.

Os nossos terroristas teriam comemorado, nas redes sociais, os atentados cometidos em Nice, Orlando e Paris. Eles se comunicavam, contou o ministro, via WhatsApp e Telegram.

“Até o momento, tudo que foi investigado foi o único contato que alguns deles tiveram [com o EI], o batismo. Eles não saíram aqui do país para nenhum contato pessoal.”

Era “uma célula amadora”. Os caras não tinham ”nenhum preparo”. O líder deles afirmou que “era necessário aprender artes marciais e atirar com armas” que seriam compradas pela internet.

Nada, enfim.

À época, o show de Alexandre de Moras foi uma mistura de burrice, oportunismo e incompetência. Agora foi incluída uma tragédia à receita.

Quem vai pagar? Ninguém.


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