São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - sábado 16 de dezembro de 2017 - Ano: X - Edição: 3.347 - Visualizações: 19.638.129 - Postagens: 32.192

DOM ORVANDIL | A juventude é o sol luminoso no céu nublado pelo golpe contra a democracia e o Brasil

Editor do blog Cartas e Reflexões Proféticas, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central da Igreja Anglicana e professor universitário

16/11/2016

Querido Prof. Thiago Vaz, Judiai, SP

Sou-lhe imensamente agradecido por sua manifestação de apoio em relação ao meu canal no YouTube.

Ao me contar que é judeu praticante mas que se sente alimentado com as mensagens saídas da consciência de um bispo cristão é sinal maravilhoso de boa vontade entre as pessoas.

O sentido ecumênico aumenta com seus pais se convertendo ao um movimento evangélico. Porém, por não encontrarem espaço hoje se reúnem com cristãos originários de várias tradições cristãs.  Leem e estudam textos do teólogo Leonardo Boff e de outros teólogos ecumênicos e progressistas. Participam de círculos bíblicos, com cuja decisão o amigo é solidário participativo.

O mais interessante, caro prof. Thiago, é sua inquietação com os membros da sinagoga judaica daí pela postura sionista deles, tremendamente discriminatória com os palestinos.

Junto ao seu desconforto profético com as injustiças, embalado por militância progressista na construção de sociedade mais democrática e justa, o grito da juventude secundarista e universitária brasileira.

Numa circunstância obscura e de desesperança para muitos brasileiros eis que se levanta Ana Júlia Pires Ribeiro na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná e aponta que a única saída é a mobilização e a ocupação das escolas públicas.

A partir daquela jovem franzina centenas de artigos, postagens, vídeos e matérias de fôlego são construídas para lembrar que a juventude sempre foi a primeira a agir nos momentos mais pesados e críticos em nosso País durante toda a sua história.

Desde a sua primeira grande aparição Ana Júlia busca afirmar mais a importância do movimento, do coletivo e da organização democrática, com debates aprofundados do que os indivíduos.

O valor do movimento estudantil que constrói elos e alianças com todos os setores injustiçados da sociedade é absolutamente necessário. O caráter suprapartidário da luta estudantil é saudável desde que não despreze os partidos que sempre se envolveram na defesa da educação e dos direitos humanos, ao contrário do que fazem os de doutrina neoliberal, de direita e fascista, que se juntam ao golpe que levou o usurpador Temer ao poder.

O movimento estudantil carrega em sua força os apoios das famílias, de muitos outros setores da sociedade a até de filhos de policiais que servem às ordens de juízes e governantes fascistas que impõem a barbárie dos abusos e maus tratos à adolescentes e jovens, como acontece em todo o Pais, notadamente sob governadores neoliberais como os do Paraná, Rio Grande do Sul, de São Paulo e de Goiás.

Esses governos historicamente agem frente às lutas sociais com  desrespeito aos direitos de protestar e de reivindicar, mas como se fossem problemas policiais.

Porém, é bom recordar, a juventude nunca desanima nem arrefece a luta. A juventude derrotou ajudou a derrotar a colonização na América Latina e esteve na sua linha de frente.  Quem fez a revolução em Cuba foram jovens estudiosos, preparados, cultos e arduamente disciplinados. Todos sabiam dos ricos de morte em face de forças furiosas dos opressores e bandidos apegados aos privilégios dos exploradores. Alguns foram imolados e seu sangue entregue no altar da luta produziu frutos da justiça social.

Na libertação dos escravos e na luta pela independência em relação com os países colonizadores quem lutou sem temer a morte foram os jovens, sempre resolutos e bravos.

Mesmo que estupida e burramente o golpista MiShel Temer tenha sido desrespeitoso, mal educado e grosso, bem ao estilo da burguesia apodrecida, ao dizer que os estudantes não sabem o que é a PEC 241/55 e que não sabem porque lutam, nossos jovens sabem muito bem o conteúdo do que buscam e da proposta de País com o qual sonham.

O movimento estudantil dá cria e gera novas lideranças, cada vez mais jovens.

O Rio Grande do Sul indica articulações fortes do movimento secundarista com seus novos líderes, que sabem o que dizem e contra quem discursam.

A jornalista Fernanda Canofre do site Sul21 conta que “no dia de paralisação geral que mobilizou classes de educação, segurança pública, transporte em todo o país, uma audiência pública convocada por deputados Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul lotou o auditório Dante Barone com professores, estudantes, movimentos sociais e deputados estaduais e federais do Estado, para discutir os efeitos da PEC 241 – agora 55, no Senado, a PEC do teto de gastos – e da MP 746 – que propõe a reforma do ensino médio em todo o país.”

Para surpresa, emoção e entusiasmo de todos o discurso da estudante de 15 anos, Manu Schonhofen, do Instituto Sul de Pelotas,  levantou a plateia.

A denúncia e o que disse a adolescente secundarista é testemunho da profundidade e seriedade coletivas do movimento: “Essa PEC afeta as crianças, os jovens, as futuras gerações que terão de contar com um serviço público ainda mais precário. Como uma reforma do Ensino Médio? O nome disso é sucateamento da educação pública. A crise educacional no Brasil não é uma crise, é um projeto. Como se isso não bastasse, temos um PL 867, que visa exterminar o pensamento crítico. Isso é inadmissível, intolerável, nós somos o futuro desse país”, afirmou Manu. “Contamos ainda com um presidente que, além de golpista, desmoraliza a juventude e diz que ela nem sabe porque está lutando. Nós sabemos o porquê de estarmos aqui, ele que não sabe o que é voto. A gente conta também com uma mídia manipuladora e que não sabe praticar o jornalismo independente. Um MEC (Ministério da Educação) autoritário que pede sem nenhum motivo cabível a identificação dos alunos ocupantes. Um MEC que esquece de apontar os Institutos Federais no ranking do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Um Congresso que permite essa afronta. Consertar o Brasil, senhores deputados, é tirar os direitos de quem não tem? Quem somos nós afinal? Aqueles que nos chamam de manipulados, quando a gente decide começar a participação na vida política, são os mesmos que dizem que jovem é emancipado, que jovem sabe o que faz quando o interesse é a redução da maioridade penal. Se decidam. E volto a afirmar, educação não é gasto, educação é investimento. Eu, como estudante secundarista, com orgulho participante da primavera estudantil, da primavera secundaristas, digo para vocês: isso é só o começo” (mais aqui).

Enfim, ao lado deputados/as estaduais, federais e professores/as os e as estudantes afirmaram a disposição de jamais pararem a mobilização até que que o golpe contra a educação e os direitos sociais seja derrotado.

O capitalismo receita os caminhos das drogas, da marginalização, das futilidades consumistas e das balas das policias do Estado terrorista nas  mãos desumanas da burguesia neoliberal decadente. Nossos estudantes secundarista e universitários, ao contrário, escolhem os rumos dos sonhos e da luta por uma sociedade justa. Gritam: “lutar não é crime”! Devemos apoiá-los em nome do bom senso e do futuro que eles arrastam para o presente ocupando escolas, as ruas e iluminando a luta!

A força e as vozes de estudantes tão jovens são necessariamente como o sol que chama para a luminosidade da luta a todos os setores da sociedade, mesmo contra todo o massacre desta mídia que tenta esconder o movimento com o objetivo de manter a população brasileira na obscuridade e na alienação.


Do blog Cartas Proféticas

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