São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - segunda-feira 23 de outubro de 2017 - Ano: X - Edição: 3.293 - Visualizações: 18.935.765 - Postagens: 32.192

Eduardo Cunha chora na cadeia e ameaça entregar cúpula do PMDB a Moro


Após negociar a confissão de Marcelo Odebrecht, herdeiro da maior empreiteira da América Latina, a delação de Cunha passa a ter peso específico


Por Redação – de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo
04/11/2016

O presidente de facto, Michel Temer, e seus auxiliares mais próximos estão em alerta máximo. Eles passaram a receber, nos últimos dias, novas ameaças do deputado cassado, e preso, Eduardo Cunha. As noites, na fria carceragem da Polícia Federal, na capital paranaense, têm sido demais para o ex-presidente da Câmara. Testemunhas que conversaram com a reportagem do Correio do Brasil disseram tê-lo visto chorando ao abraçar a mulher, a jornalista Cláudia Cruz. Ela e os filhos o visitaram, no início da semana.
Cunha tenta, em suas últimas esperanças de evitar um longo período atrás das grades, convencer os demais correligionários. Hoje, na condução do país, seus parceiros deveriam ajudá-lo na guerra contra a Operação Lava Jato, acredita. Mas pode ser tarde demais. Suas primeiras conversas acerca de uma possível delação premiada têm esbarrado nos procuradores do Ministério Público Federal (MPF). Parte deles prefere ver Cunha preso por muito tempo, ao invés de ter a pena reduzida. O peemedebista fluminense é acusado de receber mais de US$ 6 milhões em propina no esquema de corrupção na Petrobras.

Cunha e os ‘peixes graúdos’

Após negociar a confissão de Odebrecht, a delação de Cunha passa a ter peso específico. Somente interessaria ao Judiciário caso o peemedebista fluminense disponha de provas objetivas contra cúmplices do mais alto escalão. Entre eles, o presidente licenciado da legenda, Michel Temer, e políticos já citados, como o senador José Serra (PSDB-SP). Atual ocupante do ministério das Relações Exteriores, Serra já foi citado por receber mais de R$ 20 milhões em dinheiro sujo.

— Muitas pessoas e alguns articulistas dos principais jornais do país andaram falando assim, como se nós tivéssemos uma obrigação de fechar um acordo com Cunha. Eu não vou trocar o Cunha por alguém abaixo dele, eu tenho que trocar por alguém da mesma hierarquia ou acima dele, essa é a lógica do sistema. A menos que ele venha me entregar 200 deputados, 200 deputados menores que ele, daí eu até poderia ter uma multiplicação no sentido quantitativo — disse o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, a jornalistas. Ele é um dos principais integrantes da força-tarefa.
Acordo fechado

Ao contrário de Cunha, que apela para se ver livre das grades, Odebrecht teria fechado, na véspera, o seu acordo de delação premiada. A defesa do dono da empreiteira teria chegado a um acordo sobre um dos principais pontos da delação premiada. Acertaram que Odebrecht permanecerá preso, em regime fechado, até dezembro de 2017. A pena total deve ser de dez anos, com dois e meio em regime fechado.

A delação de Marcelo e dos executivos do grupo atinge todo o sistema político. Inclui Michel Temer, que teria pedido R$ 10 milhões em caixa dois. E Serra, com depósitos de R$ 23 milhões numa conta secreta, na Suíça.

Odebrecht está preso desde junho do ano passado, sob suspeita de envolvimento no esquema de desvios da Petrobras. Esse período de um ano e quatro meses será descontado da pena total, de acordo com pessoas ligadas às negociações, segundo adiantaram seus advogados.
Pena rígida

Em dezembro de 2017, segundo o acordo celebrado, o empresário entraria em progressão de regime, cumprindo pena no semiaberto e aberto, inclusive o domiciliar. No início de outubro, as autoridades da Lava Jato iniciaram as negociações para que ele cumprisse pena de quatro anos em regime fechado.

Sua defesa, no entanto, conseguiu negociar a redução da punição, alegando que era muito rígida. Afinal, o empresário denuncia políticos de alto calado e contratos públicos de valores astronômicos.


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