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Quem pegou dinheiro da Odebrecht? Michel Temer afirma Elizeu Padilha


"Houve o jantar. Os recursos (da Odebrecht) foram registrados por depósitos bancários, foi feita a prestação de contas, e as contas foram aprovadas pelo TSE. Eu, pessoalmente, não era candidato. Não pedi e não recebi dinheiro de ninguém", diz o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, depois de confirmar que Michel Temer pediu seu auxílio para que "se fosse possível, que se ajudasse a campanha do PMDB"; acusado pelo ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho de receber R$ 4 milhões, quantia que teria que redistribuir, Padilha afirma ainda ter "mais do que apoio" de Temer para ficar no cargo; segundo o delator, escolha do Jaburu para o pedido de R$ 10 milhões foi "simbólico"

25 de Dezembro de 2016

Em entrevista à jornalista Simone Iglesias, do Globo, publicada neste domingo 25, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, confirmou o jantar que ocorreu no Palácio do Jaburu para que o então vice-presidente Michel Temer pedisse recursos à Odebrecht para o PMDB.

"Houve o jantar. O presidente já relatou, e eu faço minhas as palavras dele, em que ele pediu, se fosse possível, qeu se ajudasse a campanha do PMDB. Houve o auxílio. Os recursos foram registrados por depósitos bancários, foi feita a prestação de contas, e as contas foram aprovadas pelo TSE", declarou.

Sobre os R$ 4 milhões que, segundo o ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho teriam ficado com Padilha, para que redistribuísse - R$ 1 milhão era de Eduardo Cunha -, o ministro diz: "Eu, pessoalmente, não era candidato. Não pedi e não recebi dinheiro de ninguém".

Padilha afirma ainda ter "mais do que apoio" de Temer para ficar no cargo. "Eu tenho tido estímulo, eu tenho tido de parte dele as melhores manifestações de aposta na eficácia do trabalho da Casa Civil. Então, me sinto absolutamente à vontade".

Em sua delação, Cláudio Melo Filho declarou, em referência ao Jaburu: "Claramente, o local escolhido para a reunião foi uma opção simbólica voltada a dar mais peso ao pedido de repasse financeiro que foi feito naquela ocasião".

Confira a íntegra de seu relato sobre o jantar:

Eu participei de um jantar no palácio do Jaburu juntamente com Marcelo Odebrecht, Michel Temer e Eliseu Padilha. Michel Temer solicitou, direta e pessoalmente para Marcelo, apoio financeiro para as Campanhas do PMDB no ano de 2014. O jantar ocorreu possivelmente no dia 28 de maio de 2014, para o qual fui no carro da empresa (Toyota Corolla cinza – Placas dos carros da empresa: JIZ 0228, PAZ 4158 e PAZ 4159), conduzido por Carlos Eduardo, cuja placa é . Há chamada telefônica destinada ao celular de Eliseu Padilha, às 20h16min no dia de realização do jantar.

Chegamos no Palácio do Jaburu e fomos recebidos por Eliseu Padilha. Como Michel Temer ainda não tinha chegado, ficamos conversando amenidades em uma sala à direita de quem entra na residência pela entrada principal. Acredito que esta sala é uma biblioteca. Após a chegada de Michel Temer, sentamos na varanda em cadeiras de couro preto, com estrutura de alumínio.

No jantar, acredito que considerando a importância do PMDB e a condição de possuir o Vice-Presidente da República como Presidente do referido partido político, Marcelo Odebrecht definiu que seria feito pagamento no valor de R$ 10.000.000,00. Claramente, o local escolhido para a reunião foi uma opção simbólica voltada a dar mais peso ao pedido de repasse financeiro que foi feito naquela ocasião.

Inclusive, houve troca de e-mails nos quais Marcelo se referiu à ajuda definida no jantar, fazendo referência a Temer como "MT". 

Michel Temer, em uma oportunidade, esteve disponível para ouvir tema de interesse da Odebrecht. Este foi o caso de uma viagem institucional que seria realizada por Michel Temer a Portugal, país em que a Odebrecht tem atuação. Entreguei nota a Michel Temer sobre a atuação da companhia em Portugal. Esse exemplo deixa claro a espécie de contrapartida institucional esperada entre público e privado.

Do total de R$ 10 milhões prometido por Marcelo Odebrecht em atendimento ao pedido de Michel Temer, Eliseu Padilha ficou responsável por receber e alocar R$ 4.000.000,00. Compreendi que os outros R$ 6.000.000,00, por decisão de Marcelo Odebrecht, seriam alocados para o Sr. Paulo Skaff.

Na parte que me foi designada, pedi a José Filho que mantivesse contatos com Eliseu Padilha para alinhamento da forma de pagamento. Além disso, mantive contatos telefônicos com Eliseu Padilha para tratar do assunto. 

Segundo me foi informado por Eliseu Padilha, sei que parte do pagamento foi destinada ao ex-deputado Eduardo Cunha. Reforça este entendimento o fato de Eduardo Cunha, à época do repasse financeiro, ter telefonado diretamente a José Filho e, segundo este me relatou à época, reclamou, de forma rude, pois não havia confirmação do pagamento pela área de operações estruturadas. O valor aproximado foi de R$ 1,0 milhão.

Após José Filho me relatar o ocorrido, transmiti a reclamação de Eduardo Cunha a Hilberto Silva. Da mesma forma, procurei Eduardo Cunha para acalmá-lo e esclarecer que não tinha conhecimento de que o pagamento feito a Eliseu Padilha seria repassado a ele e quais eram os valores que havia sido definidos, pois isso não era determinado pela empresa.

Quero ressaltar que nas vezes que me foi solicitada qualquer agenda com Michel Temer, procurava Eliseu Padilha, que viabilizava os encontros para as demandas da empresa.

No caso em concreto o codinome utilizado pelo setor de operações estruturadas para definir Eliseu Padilha nesta operação financeira foi "Angorá". A título de informação, que reforça a relação de representação entre Eliseu Padilha e Moreira Franco, este último tem o apelido de Gato Angorá. Durante a coleta de dados de corroboração, apurei que um dos pagamentos, que havia solicitado José filho fazer, ocorreu entre 10 de agosto e o final de setembro de 2014 na Rua Capitão Francisco, 90, Jardim Europa, sede do escritório de Advocacia José Yunes e Associados. José Yunes hoje é assessor especial da presidência da República.

4.2 Em outra ocasião, já indicada acima, o Ministro Moreira Franco, em uma reunião na Secretaria de Aviação Civil, em que participaram, além de mim e de alguns integrantes da equipe do Ministro, Paulo Cesena e Luiz Rocha, solicitou que apoiássemos financeiramente o partido dele nas eleições de 2014. Transmiti essa demanda a Benedicto Junior, já que, evidentemente, um pedido de Ministro para realizar um pagamento de dinheiro poderia nos trazer prejuízos em caso de não atendimento ou, ainda, vantagens em caso de atendimento. O fato é que pagamentos ocorreram em razão de um pedido feito por um Ministro de Estado em ambiente institucional e por ocasião de uma reunião de trabalho.

Nessa reunião foram tratados temas relativos ao contrato do Galeão, especificamente a antecipação do início da operação deste aeroporto pela Odebrecht, especialmente nos quesitos:

(i) Reforma de escadas rolantes que estavam quebradas;
(ii) Reforma e limpeza dos banheiros e outros locais insalubres; e (iii) Segurança interna e externa dos usuários do aeroporto.

Posteriormente, Moreira Franco foi substituído por Eliseu Padilha na titularidade de Secretaria de Aviação Civil. Algumas vezes fui cobrado por Eliseu Padilha a respeito do pagamento que havia sido solicitado por Moreira Franco. Novamente transmiti a Benedicto Junior o pedido. Ficou clara a existência de correlação entre a quantia em dinheiro almejada e o cargo de Ministro de Estado ocupado pelas duas pessoas que, em momentos distintos, fizeram o mesmo pedido. O local em que os pedidos foram feitos carrega relevante simbologia que não pode ser desconsiderada, já que acredito ter pesado no momento da definição que coube internamente a Benedicto Junior.

Para corroborar o relato acima, trago, entre outros elementos relevantes (como ligações telefônicas), a programação semanal de pagamentos, que consta data, valor, codinome e, inclusive, local de entrega. Os dados de corroboração são fortes e permitem que a investigação vá muito além daquilo que o simples acesso ao sistema Drousys poderia permitir.


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