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Romero Jucá, a cara escarrada do governo Temer, vendeu o Congresso para a Odebrecht


Por Mauro Donato | 20/12/2017

Romero Jucá possui uma resiliência digna de Renan Calheiros. Faz e acontece, apronta horrores, é desmascarado, denunciado, afastado e… é o líder do governo no Congresso (o que diz tudo sobre o governo).

Seu nome veio novamente à baila nas delações de Claudio Melo Filho. Segundo o ex-executivo, Jucá foi decisivo em medidas provisórias que beneficiaram a Odebrecht e que renderam aproximadamente R$ 8,4 bi.

Já um clássico entre o empresariado (aquela categoria que historicamente repete ser contra impostos), o chororô da Odebrecht foi agraciado certa vez com a isenção de PIS e Cofins na compra de matéria-prima. A medida 255/2005 ficou conhecida como ‘Lei do Bem’ (!?) e a Odebrecht foi praticamente a redatora da emenda.

Romero Jucá entrou em campo, enterrou a versão anterior e a medida foi aprovada, favorecendo a Braskem, braço petroquímico do grupo. Um ganho, segundo o então presidente da Braskem, Carlos Fadigas, de 3,65% de crédito de PIS e Cofins que resultaram em algo como R$ 6,9 bilhões (em valores atualizados) no período de 2006 a 2015.

Teve mais.

Em 2012, a Odebrecht pressionou o Congresso para a aprovação de uma medida que permitisse a extensão do prazo do fornecimento de energia barata pela Chesf (principal fornecedora de energia no Nordeste, onde a Branskem tem uma de suas principais fábricas). Quem era o relator na época? Renan Calheiros.

“Tentei resolver com ele a questão sobre a renovação desses contratos com a Chesf por via legislativa. O senador Renan endereçou o assuto para Romero Jucá que, depois de longa dedicação, finalmente uma emenda de sua autoria permitia geradores a continuar com os contratos de fornecimento direto aos grandes consumidores do Nordeste”, disse Claudio Melo Filho.

Dilma Rousseff vetou a primeira medida, mas Romero Jucá usou toda sua força política – ele tentou colocar as emendas da Odebrecht em relação aos contratos com a Chesf em nove (!!) medidas provisórias – e conseguiu aprovar a MP 677 que então beneficiou a Braskem na renovação dos contratos. O resultado de tal interferência foi que a Braskem reverteu uma desvalorização de suas ações e seu valor de mercado subiu R$ 1,5 bilhão.

A Odebrecht nasceu na Bahia em 1944 e é a empreiteira que mais cresceu durante a ditadura, segundo relato do historiador e professor do Departamento de História e Relações Internacionais da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), Pedro Henrique Campos. De lá pra cá, manteve seus esquemas.

“O Congresso, os partidos e a sociedade civil naquela época (ditadura) não tinham muito poder. Então, a relação era diretamente com os militares, ministros, presidentes de estatais.
Enquanto hoje eles buscam acessar o Poder Legislativo, os partidos, os parlamentares, para conseguir projetos de lei, emendas parlamentares, aprovação de medidas provisórias, para ter acesso às diretorias de estatais, muitas vezes cargos nomeados pelo presidente, mas seguindo indicações de partidos e parlamentares”, disse Campos em entrevista à BBC Brasil.

Romero Jucá, portanto, nada mais é do que um fóssil vivo que perpetua as relações incestuosas da ditadura. Atende ao empresariado e aos interesses da turma que tudo faz para não pagar impostos e que depois exige que o trabahador transpire até os 98 anos de idade pois ‘a previdência está quebrada’.

Esse é o Congresso que deseja substituir indiretamente o posto de presidente da República. O caldo da ditadura não esfriou.


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