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Secretário geral da Unasul, critica juízes como Moro: “Juízes que fazem política, ameaçam a democracia.”


03/11/2016

Ernesto Samper, ex-presidente da Colômbia e secretário-geral da União fas Nações Sul-Americanas (Unasul), critica a judicialização da política e afirma que juízes que estão fazendo “política sem responsabilidade” ameaçam a democracia.

Para ele, é “preocupante juízes que fazem política abertamente”, dizendo que esta conduta tem se repetido em toda a América do Sul.

“Temos visto juízes e promotores que viraram estrelas e se prestam à judicialização da política. Atuam politicamente mas sem responsabilidade política. E de alguma maneira afetam a governabilidade democrática”, diz.

Em entrevista para a BBC Brasil, ele analisa o impeachment de Dilma Roussef, a crise na Venezuela e o cenário das relações dos países sul-americanos com a China após a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos.

Da BBC Brasil

‘É preocupante juízes fazendo política abertamente’, diz secretário-geral da Unasul

Juízes que se tornam “estrelas midiáticas” e que estão fazendo “política sem responsabilidade” colocam em risco a democracia.

A avaliação é do ex-presidente da Colômbia e atual secretário-geral da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), Ernesto Samper.

Segundo ele, trata-se de um fenômeno crescente na América do Sul, “que afeta a continuidade democrática e ao qual todos devem estar alertas”.

Em entrevista exclusiva à BBC Brasil, Samper disse achar “preocupante juízes que fazem política abertamente”.

“Não só no Brasil, mas no resto da região, temos visto juízes e promotores que viraram estrelas e se prestam à judicialização da política. Atuam politicamente mas sem responsabilidade política. E de alguma maneira afetam a governabilidade democrática”, diz Samper.

A conversa ocorreu antes do anúncio de um novo acordo de paz entre o governo colombiano e as Farc, que deve ser assinado nesta quinta-feira em Bogotá.

O novo texto substituirá o acordo inicial, que acabou sendo vetado em um plebiscito em outubro. Desta vez, o novo acordo será referendado pelo Congresso ─ e não em uma nova votação popular.

“Vamos dar a oportunidade a 15 mil guerrilheiros para que consigam, pela via política e pela via da votação democrática o que antes queriam conseguir através das armas”, disse Samper, que é do Partido Liberal Colombiano, o mesmo do presidente Juan Manuel Santos.

BBC Brasil: A Unasul nasceu com os ex-presidentes Lula, do Brasil, e Hugo Chávez, da Venezuela. Predominavam na região governos de esquerda. Agora a situação é outra. Na sua opinião, a Unasul poderia perder protagonismo com a nova ideologia regional?

Ernesto Samper: É verdade que existe uma mudança ideológica na região. Mas à medida que essa mudança é gerada por decisões livres dos cidadãos, tomadas em contextos democráticos e em tempo de paz, claro que são válidas. É provável que exista uma mudança de ênfase, mas espero que os aspectos fundamentais sejam mantidos. Pontos como a maior inclusão social, a maior competitividade na área econômica e a maior participação na área política – que são a coluna vertebral da agenda da Unasul. Nos últimos meses, foi possível trabalhar harmonicamente com representantes de todos os países e os grupos de trabalho por esses sistemas. Enquanto as normas democráticas estiverem funcionando, trabalharemos com todos os governos.


Leia entrevista completa no Jornal GGN

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