São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - sábado 19 de agosto de 2017 - Ano: IX - Edição: 3.222 - Visualizações: 17.954.957 - Postagens: 31.406

Michel Temer não sabia o que Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima faziam?


De acordo com o Ministério Público Federal, Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha, dois dos políticos mais próximos a Michel Temer, faziam parte de uma mesma organização criminosa: enquanto um liberava empréstimos da Caixa Econômica Federal, o outro cobrava a propina; o MPF, no entanto, não fez qualquer especulação sobre como Geddel se tornou vice-presidente do banco; amigo de Temer há mais de duas décadas, ele chegou lá em março de 2011 na cota pessoal do então vice-presidente da República e foi demitido pela presidente eleita Dilma Rousseff em dezembro de 2013; diante disso, a questão é: Temer não sabia como Cunha e Geddel operavam na Caixa?

13 DE JANEIRO DE 2017

Alvo de uma operação da Polícia Federal nesta sexta-feira 13, o ex-ministro Geddel Vieira Lima foi apontado como integrante de uma integração criminosa, pelo Ministério Público Federal, da qual também faria parte o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

O jogo entre os dois funcionava mais ou menos assim: como vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Geddel liberava empréstimos para grandes empresas e, em seguida, Cunha entrava em cena para cobrar propinas ou doações eleitorais ao PMDB de Michel Temer.

Segundo o Ministério Público Federal, Cunha e Geddel faziam parte de uma quadrilha, assim com os demais investigados. "A fundamentação apresentada pela autoridade policial é bastante consistente, sendo os fatos narrados na representação indicativos de que os investigados Geddel Quadro Vieira Lima, Marcos Roberto Vasconcelos, José Henrique Marques da Cruz, e Marcos Antonio Molina dos Santos faziam parte de uma verdadeira organização criminosa", afirma no documento o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes.

Uma questão, no entanto, não foi colocada: como Geddel, que havia sido derrotado na disputa para o governo da Bahia em 2010, se tornou vice-presidente da Caixa Econômica Federal?

A resposta é simples: Michel Temer. Como vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, foi ele quem exigiu do ex-ministro Antonio Palocci, então chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, a nomeação – o que se confirmou em março de 2011. Como o PMDB era peça importante da coalizão governista, Dilma se viu forçada a aturá-lo durante pouco mais de dois anos. Acabou demitindo-o em dezembro de 2013, quando já eram fortes os rumores do seu modus operandi.

Temer e Geddel atuam juntos há quase três décadas e consta que Temer chorou quando teve que demiti-lo após o caso Marcelo Calero – o ex-ministro da Cultura que revelou como o político baiano usava o cargo em busca de benefícios pessoais, no caso da torre La Vue.

Se foi Temer quem exigiu de Palocci a vice-presidência corporativa da Caixa Econômica Federal, a grande questão é: ele nem desconfiava de como seu pupilo atuava?

Num vídeo viral na internet, Temer diz que entregava missões impossíveis a Eduardo Cunha. Geddel, ao que tudo indica, era também uma peça importante dessa engrenagem.


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