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O legado de oito meses de Michel Temer: o desemprego e o ódio de massa



Por Carlos Fernandes | 10/01/2017

Oito meses após Michel Temer ter assumido a presidência da República, é possível construir um perfil fidedigno de tudo o que representou até aqui o golpe parlamentar que retirou violentamente do poder a ex-presidenta Dilma Roussef.

Se traçarmos um paralelo entre o que foi o governo Dilma nos seus piores momentos e o que está sendo o governo Temer durante todo esse período, veremos que não houve um único índice social ou econômico que tenha sequer se mantido estável.

Todos os indicadores, sem exceção, apresentaram uma piora considerável, sobretudo quando tornou-se cristalino, até para os seus mais fervorosos defensores, a completa incapacidade e a constrangedora incompetência do atual governo para criar as condições necessárias para a tão prometida retomada do crescimento.

Mês após mês assistimos, desconsolados e impotentes, ao aprofundamento da crise econômica, a entrega do patrimônio nacional ao capital estrangeiro, a retirada de direitos constitucionais alcançados com tantos esforços, a deterioração do poder de compra do salário mínimo e a bancarrota dos investimentos em saúde e educação.

Numa sucessão de “pedaladas” nos prazos estipulados para os resultados positivos das indefensáveis medidas duras e recessivas, vimos o horizonte da melhora do cenário econômico ser adiado do último trimestre de 2016 para o primeiro trimestre de 2017 e deste para o segundo. Hoje, nem o mais irresponsável dos economistas se arrisca a prever um crescimento minimamente significativo para este ano inteiro.

Apenas como ilustração, não se passaram 10 dias do ano que se inicia e os dados divulgados pela Serasa Experian nos informam que a atividade do comércio brasileiro teve uma retração de 6,6% em 2016, a maior queda desde 2002, último ano do governo FHC, quando registrou-se uma queda de 4,9%.

Já o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgou hoje, 9, que o Indicador de Formação Bruta de Capital Fixo voltou a cair em novembro de 2016. O índice recuou 1,1% em relação a outubro. Em comparação com o mesmo período de 2015 o tombo foi ainda maior, inacreditáveis 11,4%. Em bom português, ninguém tem mais coragem de investir na indústria brasileira.

Com essas façanhas, não é à toa que o mais decorativo dos presidentes tenha cometido o descalabro de trocar a atual unidade monetária brasileira, o real, pelo cruzeiro. O disparate foi cometido num evento no Rio Grande do Sul, onde para falar foi preciso mais uma vez se esconder do povo.

Seja como for,  não deixa de ser uma coerência já que estamos retrocedendo décadas na sua gestão para patamares pré-FHC.

Se tudo isso não bastasse, o horror e a carnificina vivenciadas pelos apenados sob custódia do Estado nos presídios do Amazonas e de Roraima ainda nos esfregaram na cara – mais do que a ultrajante situação do sistema carcerário nacional – a terrível crueldade com que tratamos aqueles que deveriam ser motivo de nossa atenção para a sua devida recuperação e reinserção no meio social.

Pela reação a essa verdadeira tragédia, descobrimos, ou tivemos a certeza, que tanto Estado quanto uma grande parcela da sociedade não só admitem o extermínio de seres humanos quanto torcem para que isso aconteça. Diante das mais absurdas declarações sobre o caso, me pergunto em que exatamente nos diferenciamos daqueles que apoiavam (e ainda apóiam) os campos de concentração nazista e suas inomináveis fornalhas.

Dado o exposto, é mais do que correto afirmar que na obscura era Temer, apenas dois únicos índices tiveram uma trajetória constante ascendente: o desemprego que nos humilha e o ódio que nos apequena.


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