São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - quinta-feira 17 de agosto de 2017 - Ano: IX - Edição: 3.220 - Visualizações: 17.954.957 - Postagens: 31.406

Preço da aliança com Temer/PMDB foi o assalto ao Estado


A cada dia que passa, fica claro o preço que a presidente deposta Dilma Rousseff teve que pagar para garantir a governabilidade, antes do golpe parlamentar que a derrubou; para conseguir os votos do PMDB no Congresso, Dilma teve que engolir Geddel Vieira Lima numa vice-presidência da Caixa Econômica Federal e aliados de Eduardo Cunha em postos chave da administração federal – todos, é claro, indicados pelo então vice-presidente Michel Temer; agora que se sabe a finalidade dessas indicações, quem foi às ruas contra a corrupção se dá conta de que a presidente honesta foi derrubada para que o PMDB, que vendia seu apoio no Congresso, pudesse governar sem intermediários

15 DE JANEIRO DE 2017

A Operação Cui Bono, deflagrada na sexta-feira pela Polícia Federal, foi pedagógica. Revelou que Geddel Vieira Lima, indicado por Michel Temer para uma vice-presidência da Caixa Econômica Federal, estava lá com uma finalidade específica: garantir recursos para o PMDB e políticos aliados por meio de propinas cobradas de grandes empresários. Tudo isso em parceria com Eduardo Cunha, outro grande parceiro de Temer.

No modelo político brasileiro, do chamado presidencialismo de coalizão, Dilma se elegeu duas vezes presidente da República, mas sempre em minoria no Congresso. A aliança com o PMDB, em tese, deveria dar equilíbrio aos governos do PT.

No entanto, mesmo tendo Michel Temer como vice, a relação PT-PMDB sempre foi tensa. Políticos como Geddel e Cunha, além de Eliseu Padilha e Moreira Franco, outros expoentes do quarteto ligado a Temer, sempre cobravam mais espaços no governo.

Como Dilma conhecia as intenções desse quarteto, ela fazia o máximo possível para conter o estrago. Por isso mesmo, frequentemente, era acusada de inabilidade política. No glossário peemedebista, ser inábil politicamente significa não entregar a mercadoria.

Dilma engoliu essa turma enquanto pôde. No entanto, quando Cunha se elegeu presidente da Câmara, provavelmente financiando uma penca de deputados, como revelam as mensagens trocadas com o Pastor Everaldo, o preço se tornou alto demais. Se antes era necessário entregar apenas os anéis, agora era hora de dar os dedos, as mãos, os braços e os colares.

Como Dilma não cedeu, perdeu o pescoço. Curiosamente, no entanto, os brasileiros que foram às ruas contra a corrupção contribuíram para a deposição de Dilma e para instalar no poder justamente os maiores especialistas em mercantilização da política. A presidente honesta foi derrubada para que o PMDB, que vendia seu apoio no Congresso, pudesse governar sem intermediários.

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