São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - quarta-feira 23 de agosto de 2017 - Ano: IX - Edição: 3.226 - Visualizações: 17.977.957 - Postagens: 31.406

JEFERSON MIOLA | Avião do PSB teve mesmo destino do helicoca do aliado de Aécio

Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial

1 de Fevereiro de 2017

Ontem, 31/01, a Operação Vórtex da Polícia Federal revelou que a empresa Lidermac, beneficiária de contratos milionários com o governo do PSB de Pernambuco, é co-proprietária do avião Cessna Citation acidentado na campanha presidencial de 2014, no qual morreu o candidato Eduardo Campos, do PSB, assessores e tripulação.

A Lidemarc, que atua no ramo de equipamentos e construção, recebeu R$ 75 milhões nos período de governo de Eduardo Campos [2010/2014] em Pernambuco, e seguiu contratada e faturando pelo menos até 2016, também na gestão do PSB e partidos coligados [PMDB, PSDB, DEM, PP, PPS, PSD etc].

A Lidemac é citada também na Operação Turbulência por crimes de lavagem de dinheiro com empresas fantasmas – mais de R$ 600 milhões –, doação ilegal a campanhas eleitorais, e financiamento por caixa dois de políticos do bloco que domina a política pernambucana e que está ostensivamente representado no governo do usurpador Michel Temer com nada menos que 4 ministros: Mendonça Filho, do DEM; Bruno Araújo, do PSDB; Raul Jungmann do PPS e Fernando Bezerra Filho, do PSB.

Um dos sócios da Lidemac é o empresário Rodrigo Leicht Carneiro Leão, genro do ministro do Tribunal de Contas da União José Múcio, político do PTB. O empresário e outros três sócios foram conduzidos coercitivamente para prestar depoimento na PF.

Ou seja, é um escândalo completinho, para ninguém botar defeito. Porém, todos os jornais de hoje da mídia hegemônica [1º/02, dia seguinte à Operação Vórtex] não só não deram manchetes ou chamadas de capa, como simplesmente fizeram a notícia evaporar do noticiário.

É como se fosse um não-acontecimento. É um fenômeno idêntico ao ocorrido com o helicóptero dos políticos da família Perrela, aliados de Aécio e Anastasia em Minas Gerais. O pai Zezé, eleitor do impeachment fraudulento, é senador pelo PTB de Minas; e o filho Gustavo, não-reeleito deputado, virou Secretário Nacional de Futebol do Ministério do Esporte do governo golpista.

O helicóptero, conhecido como "helicoca", carregado com 445 quilos de cocaína, foi interceptado pela PF no Espírito Santo em novembro de 2013, quando era pilotado por Rogério Antunes [que estava lotado no gabinete de deputado estadual de Gustavo Perrela] e abastecido com dinheiro público da Assembléia Legislativa de MG – a tal verba indenizatória que o deputado Carlos Marun [PMDB/MS] usou recentemente para visitar Eduardo Cunha na prisão.

Ou seja, um crime transcorrido há mais de três anos que alimenta um escândalo de dimensões policiais cinematográficas. Porém, também evaporado do noticiário.

As últimas informações disponíveis são de que os pilotos e a família Perrela, proprietária do helicoca, estão soltos; o helicoca foi devolvido à família, e a vida segue normal, como se nada tivesse acontecido: o Zezé continua com mandato no Senado e o Gustavo ganhou um cargo de confiança no governo golpista. O destino dos 445 quilos de cocaína, entretanto, é desconhecido e não sabido.

Moral da história: o pau que bate em Chico não bate, necessariamente, em Francisco, como vez ou outra o mineiro Rodrigo Janot tenta iludir com sua ginástica retórica para invocar uma inexistente imparcialidade da Lava Jato.

A justiça, o judiciário, a lei, o ministério público, a polícia federal, a verdade e a mídia é uma para a oligarquia golpista; para os inimigos políticos e de classe dessa oligarquia, é outra.


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