São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - segunda-feira 21 de agosto de 2017 - Ano: IX - Edição: 3.224 - Visualizações: 17.954.957 - Postagens: 31.406

Tucano Doria recebeu R$ 951 mil de agência do governo federal chefiada por amigo David Barioni


Ao longo de dez anos, entre 2005 e 2014, a Apex patrocinou seis eventos do Grupo Doria. Só no ano passado, quando Barioni assumiu a chefia do órgão, cinco iniciativas do empresário receberam apoio financeiro da agência. O suporte da Apex rendeu, em 2015, R$ 950,5 mil ao Grupo Doria

27/02/2016

Sob o comando de David Barioni, a Apex Brasil, agência do governo federal responsável pelo fomento à exportação, passou a dedicar mais recursos e atenção aos eventos promovidos pelo Grupo Doria, do empresário e pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, João Doria Júnior.

Ao longo de dez anos, entre 2005 e 2014, a Apex patrocinou seis eventos do Grupo Doria. Só no ano passado, quando Barioni assumiu a chefia do órgão, cinco iniciativas do empresário receberam apoio financeiro da agência. O suporte da Apex rendeu, em 2015, R$ 950,5 mil ao Grupo Doria.

Não houve investimento semelhante da agência nos anos anteriores. Em 2005, por exemplo, a Apex patrocinou um evento de Doria, ao custo de R$ 90 mil. Em 2006, a agência ajudou um outro ato, com R$ 100 mil. Depois, o Grupo Doria só voltou a receber recursos da Apex em 2013: R$ 628 mil. Em 2014, a Apex pagou R$ 338 mil ao grupo.

Mesmo em valores corrigidos o volume de recursos empregados em 2015 é substancialmente maior do que o gasto nos anos anteriores.

Em comparação com 2013, por exemplo, quando houve o maior investimento da agência em eventos do Grupo Doria antes da chegada de Barioni, os R$ 950,5 mil pagos no ano passado representam um crescimento de 25%, descontada a inflação.

O Grupo Doria promove encontros entre empresários no Brasil e no exterior. Sob Barioni, a Apex patrocinou um desses eventos, em Nova York, do qual participaram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ambos do PSDB.

A agência também aparece como apoiadora de fóruns, como o de Agronegócio, em setembro do ano passado. Alckmin também marcou presença e discursou contra a recriação da CPMF.

A Apex é vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Doria, por sua vez, é um crítico do governo Dilma Rousseff.

Em entrevistas recentes, disse que a petista não tinha condições de recompor o país, que a corrupção se propaga como "uma metástase" e que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era um "sem vergonha, cara de pau".

O tucano diz ser amigo do atual presidente da Apex há mais de 20 anos. Como mostrou reportagem da Folha publicada no último domingo (24), ao longo do ano passado Doria fez pedidos de favores pessoais e ofereceu recepção luxuosa ao chefe da Apex em sua casa de veraneio em Campos do Jordão.

O evento ocorreu em julho. Além de Barioni, Doria ofereceu estadia em sua casa de veraneio para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, chefe do órgão ao qual a Apex é vinculada. As informações são da Folha de SP.


Eventos do Grupo Doria patrocinados pela Apex

2005
Doria 10º Meeting Internacional
R$ 90 mil

2006
Doria 11º Meeting Internacional
R$ 100 mil

2013
Doria 18º Meeting Internacional
R$ 330 mil

Business Trip Emirados Árabes Unidos
R$ 298 mil

2014
Business Trip Marrocos
R$ 90 mil

Doria 19º Meeting Internacional
R$ 248 mil

2015
Programa De Fortalecimento Empresarial Das Relações Brasil - EUA
R$ 179 mil

Like The Future
R$ 72 mil

4º Fórum Nacional de Agronegócios
R$ 230 mil

20º Meeting Internacional
R$ 379,5 mil

Seminário Jovens Empreendedores e Seminário Mulheres Empreendedoras
R$ 90 mil

"Sempre soube que Eliseu Padilha representava a figura política de Michel Temer". Assim começa o item 2.5 do depoimento de Cláudio Melo Filho à Lava Jato. Nele o lobista descreve a relação de "extrema proximidade" entre o chefe da Casa Civil e o presidente da República.

Diante dos procuradores, Melo Filho contou o que sabia sobre o ministro, apelidado de "Primo" nas planilhas da Odebrecht. "Pelo que pude perceber ao longo dos anos, a pessoa mais destacada desse grupo para falar com agentes privados e centralizar as arrecadações financeiras é Eliseu Padilha", disse.

"Atua como verdadeiro preposto de Michel Temer e deixa claro que muitas vezes fala em seu nome. [...] Concentra as arrecadações financeiras desse núcleo político do PMDB para posteriores repasses internos", explicou.

Na noite de 28 de maio de 2014, Padilha abriu a porta do Palácio do Jaburu para Melo Filho e Marcelo Odebrecht. "Como Michel Temer ainda não tinha chegado, ficamos conversando amenidades", contou o lobista. Quando o chefe entrou na sala, o encontro se tornou mais objetivo: "Temer solicitou, direta e pessoalmente para Marcelo, apoio financeiro para as campanhas do PMDB".

O martelo foi batido em R$ 10 milhões. Segundo o delator, Padilha determinou que parte da bolada fosse entregue em dinheiro vivo no escritório do advogado José Yunes.

O relato produziu a primeira baixa em dezembro, quando Yunes deixou o cargo de assessor especial do Planalto. Às vésperas do Carnaval, ele admitiu ter recebido um "pacote" do doleiro Lúcio Funaro e culpou o braço direito do presidente. "Fui mula do Padilha", desabafou. O chefe da Casa Civil se licenciou na sexta-feira, alegando motivos de saúde.

Com ministros sendo abatidos como moscas, o governo Temer começa a lembrar o governo Dilma em sua fase terminal. Depois da mula e do preposto, talvez esteja se aproximando a hora do chefe.Bernardo Melo


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