São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - sexta-feira 18 de agosto de 2017 - Ano: IX - Edição: 3.221 - Visualizações: 17.954.957 - Postagens: 31.406

ALEX SOLNIK | Esquerda tem que ir às ruas por cassação de Temer


Por: Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

28 de Março de 2017

A direita perdeu o discurso e as ruas.

O discurso de que Dilma tinha que ser deposta como medida moralizadora de salvação do país caducou.

Com a sua deposição, os corruptos – que estavam nos porões do navio – chegaram ao convés, é o que a Lava Jato cansa de demonstrar todos os dias.

A direita foi às ruas em apoio à Lava Jato sem perceber que a operação é a maior ameaça à sobrevivência de Temer.

Os reacionários não se tocaram que não podem ao mesmo tempo lutar contra a corrupção e a favor de Temer, porque são assuntos excludentes.

Se dão força à Lava Jato enfraquecem Temer; se dão força a Temer enfraquecem a Lava Jato.

O governo Temer não combate a corrupção, protege os suspeitos de corrupção. O governo Temer não combate a corrupção, combate a Lava Jato.

O discurso do combate à corrupção se esvaziou.

Sem discurso, não tem rua. Por isso as manifestações de domingo fracassaram.

O fracasso das manifestações é equivalente ao fracasso do governo Temer.

Essa é a hora de a esquerda retomar as ruas perdidas.

Não é ir às ruas contra a reforma da Previdência apenas, mas ir às ruas contra Temer. Não com o Fora Temer genérico, mas com uma bandeira específica: a sua cassação.

A esquerda, se quiser retomar o protagonismo político tem que ir às ruas para garantir a sua cassação no TSE, ameaçada pela presença de seu amigo Gilmar Mendes na presidência do tribunal.

A rua é o único elemento de pressão na falta da Globo. Se ou as ruas ou a Globo não pressionam, nada acontece neste país.

A esquerda que passou os dois últimos anos na defensiva (defendendo a democracia) agora tem que partir para o ataque contra o governo que ameaça a democracia.

A ameaça à democracia, iniciada com o golpe parlamentar, continuou e continua com a formação de um governo e de sua maioria parlamentar investigados por corrupção e suas investidas por retirar todas as garantias sociais inseridas na constituição, graças a essa maioria.

A esquerda não pode se acomodar e assistir de camarote às manobras que Gilmar Mendes deve estar preparando em busca da sobrevida de seu amigo Temer, que é a sobrevida de todos seus projetos nefastos e retrógrados.


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