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MARCELO ZERO | O jararaca e os ratos

MARCELO ZERO

É sociólogo, especialista em Relações Internacionais e assessor da liderança do PT no Senado

15 de Março de 2017

"O depoimento de Lula no último dia 14 é um desses raros momentos históricos em que tudo se revela, tudo se torna claro. De um lado esteve Lula, o maior presidente da história do país, só comparável, em sua dimensão política interna, a Getúlio Vargas. De outro lado, estiveram, como sempre, homens pequenos", diz o colunista do 247 Marcelo Zero; por outro lado, diz Zero, o grande país de Lula está se transformando num país pequeno, periférico, quase colonial; "O outrora país admirado e cortejado está se tornando um país desprezado. Temer não tem agenda externa e é motivo de piadas pelo mundo afora por sua misoginia e mediocridade. Os ratos nos causam vergonha planetária"




O depoimento de Lula no último dia 14 é um desses raros momentos históricos em que tudo se revela, tudo se torna claro.

De um lado esteve Lula, o maior presidente da história do país, só comparável, em sua dimensão política interna, a Getúlio Vargas. Mas Lula é o único presidente brasileiro que se tornou, de fato, um grande líder internacional, admirado em todo o mundo. Nunca houve um presidente como Lula.

Por sua grandeza histórica, política e moral, Lula falou de coisas grandes. Falou de como elevou o protagonismo internacional do Brasil. Como fez um país dependente, pequeno, se tornar grande e respeitado. Falou de como tirou 30 milhões de brasileiros da miséria. De como colocou 40 milhões de brasileiros na nova classe média. De como o mundo o procura até hoje para saber dos programas sociais revolucionários que criou.

De como dinamizou o mercado interno, de como tornou o pobre solução, ao invés de problema. De como tornou o Brasil a sexta economia do mundo. De como fez a Petrobras estimular as empresas nacionais. De como fez o Brasil um país de cabeça erguida. De como conquistou o direito de andar de cabeça erguida num país grande, soberano e mais justo.

De outro lado, estiveram, como sempre, homens pequenos. Pequenos como Savonarola, Torquemada e McCarthy. Pequenos em seu ódio, pequenos em sua inveja, pequenos em seu moralismo de ocasião. Pequenos, diminutos, em sua hipocrisia.

Como homens pequenos, falam de coisas pequenas. Falam de pedalinhos, falam de apartamentos de terceiros. Falam de depoimentos de homens diminutos, desesperados por se libertarem às custas da imolação do grande homem. A mediocridade dos acusadores e das acusações é gritante. O gigantesco vazio de provas e evidências também.

Por isso, os homens pequenos que perseguem Lula tentam desrespeitá-lo. Os homens pequenos tentam inutilmente crescer atacando sua grandeza inatingível. Não se referem a ele como presidente ou ex-presidente. Lembram da sua origem miserável e nordestina, de gente que não deveria ter sequer o direito de sobreviver. Lembram a todo instante que Lula só tem um curso primário e um curso técnico. No Brasil, terra da estupidez diplomada e da burrice ilustrada, isso parece ser um grande pecado.

Tal ataque é, contudo, inútil. Assim como a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude, a lawfare contra Lula é a homenagem que a mediocridade presta à grandeza.

Num grande país, num país mais civilizado, Lula seria reverenciado para sempre. O problema é que o Brasil, com o golpe, se tornou um país menor. Virou o país dos homens pequenos. O país da mediocridade hegemônica.
Um país de anões.

O país de juízes e procuradores partidarizados, que preferem convicções em detrimento de provas. O país dos moralistas sem moral. O país dos paneleiros de barriga cheia. O país dos patos teleguiados pela mídia corrupta e venal. O país que deu um golpe na presidenta honesta para colocar no poder a "turma da sangria", entalada até o pescoço em denúncias de corrupção.

O país que espuma de ódio contra a suposta corrupção de alguns, mas que tolera pacientemente a corrupção evidente e histórica de seus políticos conservadores preferidos. Um país misógino, racista e que odeia profundamente a ascensão social propiciada pela grandeza de Lula. Um país de quem não hesita em sacrificar a democracia e o mandato popular para fazer valer seus interesses de classe.

Assim, Lula foi substituído pelos aécios, os jucás, os padilhas, os temer. O homem de dimensão histórica foi substituído por homens diminutos, sem nenhuma dimensão política e moral.

O "Jararaca" foi substituído por ratos.

E homens pequenos só conseguem fazer um país pequeno. A grandeza cria, mas a pequenez, a mediocridade, só sabe destruir.

Por isso, a agenda do golpe, dos ratos, é uma agenda de destruição. Estão destruindo os direitos previdenciários e trabalhistas da população, com as infames Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista. Estão destruindo o Estado de Bem Estar criado pela Constituição Cidadã. Estão destruindo a economia nacional com um ajuste suicida, condenado no mundo inteiro, até mesmo pelo FMI. Estão destruindo o futuro do país, vendendo o pré-sal e a própria Petrobras a preços aviltados e à margem da lei, numa negociata descarada que faria corar a antiga diretoria corrupta da empresa. Estão inviabilizando o BNDES, nosso grande banco de investimentos. Estão acabando com os mecanismos de que dispomos para a alavancagem do desenvolvimento. Estão entregando a Base de Alcântara. Querem entregar nossas terras. Querem entregar tudo, até o nosso futuro.

O grande país de Lula está se transformando, de novo, num país pequeno, periférico, quase colonial. O outrora país admirado e cortejado está se tornando um país desprezado. Temer não tem agenda externa e é motivo de piadas pelo mundo afora por sua misoginia e mediocridade. Os ratos nos causam vergonha planetária.

Nunca caímos tão baixo. Dói ver o Brasil nesse estado.

Felizmente, para todos nós, inclusive para os que o odeiam, Lula está vivo. Física e politicamente vivo. Não para de crescer nas pesquisas. Todos sentem saudade do grande Brasil que ele criou.

No dia 14, Lula, o verdadeiro gigante do Brasil, acordou.

Não tem mais volta. Em 2018, o Jararaca vai jantar os ratos.


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