São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - quinta-feira 21 de setembro de 2017 - Ano: IX - Edição: 3.254 - Visualizações: 18.247.852 - Postagens: 32.000

ALEX SOLNIK | Aécio Neves, mas podem me chamar de Jim Jones

"Se os tucanos não fizerem nada para tirar Aécio Neves definitivamente da presidência do partido, vão perder o discurso ético, ou seja, vão tomar o suco de uva com cianeto, que é o que ele lhes propõe, cometendo o maior suicídio político da história brasileira", diz o colunista do 247 Alex Solnik, referindo-se ao caso do americano Jim Jones, que liderou um suicídio de 909 pessoas em 1978; "Como o seu futuro político é uma miragem, a única alternativa de Aécio deveria ser salvar o PSDB, renunciando ao cargo, se ele não fosse quem é: muito mais parecido com Temer que com seu avô. Vai amarrar-se à cadeira de senador o máximo de tempo possível, alegando inocência, para não cair nas garras de Sérgio Moro, contando com a lentidão tradicional dos inquéritos a cargo do STF", diz Solnik


Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

23 de Junho de 2017

No dia 17 de novembro de 1978, 909 membros do Templo do Povo cometeram o maior suicídio coletivo da história, ingerindo suco de uva com cianeto, convencidos por seu líder, o americano Jim Jones de que seria um “suicídio revolucionário” em protesto contra “as condições de um mundo desumano”. Quando os membros começaram a protestar, Jones aconselhou: "Parem com essa histeria! Devemos morrer com um pouco de dignidade." Jones podia ser ouvido dizendo: "não tenham medo de morrer" e que a morte é "apenas uma passagem para outro plano" e que é "uma amiga".

   Se os tucanos não fizerem nada para tirar Aécio Neves definitivamente da presidência do partido, vão perder o discurso ético, ou seja, vão tomar o suco de uva com cianeto, que é o que ele lhes propõe, cometendo o maior suicídio político da história brasileira.

   Tal como no episódio das Guianas de 40 anos atrás, alguns tucanos já estão protestando e antevendo o desenlace fatídico, enquanto Aécio lhes diz “parem com essa histeria, devemos morrer politicamente com dignidade”, “não tenham medo de morrer politicamente”, a morte política “é só uma passagem para outro plano”.

   Se continuarem obedecendo ao “Mineirinho”, como era conhecido na Odebrecht, os tucanos vão passar a seguinte mensagem aos brasileiros: “concordamos em ter um presidente que já contabiliza nove inquéritos criminais no STF” com o mais recente, anunciado anteontem pelo ministro Marco Aurélio Mello que vai investigar lavagem de dinheiro na disponibilização de 60 milhões de Joesley a pedido de Aécio.

   “Concordamos em ter um presidente que aceita receber dinheiro de Joesley em malas e não em sua conta bancária como todo mundo faz”.

   Aécio tem que fazer uma escolha: ou ele ou o partido.

   E o partido também, entre a ética ou a desmoralização.

   O senado, idem ibidem com batatas.

   Como o seu futuro político é uma miragem, a única alternativa de Aécio deveria ser salvar o PSDB, renunciando ao cargo, se ele não fosse quem é: muito mais parecido com Temer que com seu avô.

   Sua tática suicida é a mesma de Temer.

   Vai amarrar-se à cadeira de senador o máximo de tempo possível, alegando inocência, para não cair nas garras de Sérgio Moro, contando com a lentidão tradicional dos inquéritos a cargo do STF.

   Vai pressionar seu partido a não mexer com ele e a votar religiosamente com o governo para que o PMDB garanta a sua sobrevivência no Senado.

   Um toma-lá-dá-cá que só interessa a ele, não ao partido, fundado no mesmo instante em que Orestes Quércia assumiu a presidência do PMDB.

   A agonia de Aécio promete ser longa, tal como a agonia do seu partido.

   Aécio poderá ser o Jim Jones do PSDB.


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