São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - sábado 18 de novembro de 2017 - Ano: X - Edição: 3.319 - Visualizações: 19.422.689 - Postagens: 32.192

ALEX SOLNIK | Quem está pagando o silêncio de Eduardo Cunha?

Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

4 de Julho de 2017

Temer é um recordista.

   Em apenas um ano de mandato que lhe foi ofertado por Eduardo Cunha e seus deputados amestrados, cinco pessoas de sua intimidade já foram em cana por suspeita de envolvimento em corrupção e crimes correlatos: o próprio Cunha, os assessores da copa e cozinha Tadeu Filipelli e Rocha Loures e os ministros Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima.



   Cinco em cana, não falo em demissões.

   Um deles flagrado carregando mala milionária.

   Houve algum mandatário máximo nessa situação desde o descobrimento do Brasil?

   Mas não é só.

   O sexto amigo próximo, José Yunes, pediu demissão quando Marcelo Odebrecht contou que ele guardou dinheiro sujo em seu escritório.

   Do sétimo, Eliseu Padilha, Yunes disse ter sido “mula”.

   Para blindar o oitavo, Moreira Franco, Temer criou, a seu pedido, um ministério “on demand” porque comprar briga com ele seria também brigar com seu genro, Rodrigo Maia, o Botafogo da Odebrecht e presidente da Câmara dos Deputados,  que mata no peito todos os pedidos de impeachment do chefe do seu sogro.

   O nono, Osmar Serraglio apareceu nas investigações da Operação Carne Fraca chamando o líder dos fiscais corruptos do Ministério da Agricultura de “chefe”.

   Nenhum deles, no entanto, recebeu sequer a menor admoestação de Temer, ao contrário de Joesley, que durante anos abasteceu o caixa do PMDB com os milionários repasses da JBS em troca de facilidades nos órgãos do governo, e foi chamado de bandido.

   Os outros não mereceram qualquer ressalva, ao contrário: Cunha foi chamado por Temer de “batalhador”; Rocha Loures, “pessoa de boa índole”; o caso que provocou a demissão de Geddel, em que ele pressionou o ministro da Cultura para liberar alvará de um edifício irregular em que tinha um apartamento, “uma bobagem”; sobre o fato de seu assessor direto e amigo Yunes assumir ter sido “mula” de Padilha, nenhum comentário, apenas o silêncio e aquele sorriso que lembra, cada vez mais, “o amigo da onça”, personagem do genial chargista Péricles publicado nos anos de ouro d’”O Cruzeiro“.

   No entanto, por mais que ministros ou ex-ministros ou amigos enrolados sejam enjaulados, nenhum deles será tão perigoso quanto o homem-bomba.

   A pergunta de 1 milhão de dólares é: depois que Joesley passou para o outro lado e tratou de salvar a própria pele, quem está pagando o silêncio de Cunha?


Brasil 247

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