São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - segunda-feira 21 de agosto de 2017 - Ano: IX - Edição: 3.224 - Visualizações: 17.954.957 - Postagens: 31.406

No mundo encantado dos procuradores, 16% de aumento no meio da crise é normal


Vivendo num mundo à parte e não num país quebrado, procuradores ganham aumento de 16%


Por Kiko Nogueira -  25 de julho de 2017

O Conselho Superior do Ministério Público, uma espécie de Liga da Justiça da vida real, aprovou um aumento de 16,7% nos salários dos procuradores, uma antiga reivindicação da categoria.

Três dos 11 conselheiros foram contra. Rodrigo Janot votou a favor, apesar de classificar a medida uma “decisão política” encampada por sua sucessora, Raquel Dodge, que assume a PGR em setembro.

O que é essa decisão política, Janot não explicou. Presume-se que a nova chefe esteja querendo agradar sua galera e passar um recado de que eles estão acima dos demais brasileiros.

Porque, ao fim e ao cabo, é onde eles estão: num outro patamar, numa liga superior, que se acha no dever absoluto de subir o ordenado em um país em recessão.

Afinal, eles estão nos salvando do demônio da corrupção. Em nome disso, tudo é permitido.

Ficamos com o seguinte roteiro: o PT quebrou o Brasil; o Brasil não tem dinheiro, precisamos fazer reformas; o MP aprova aumento para seus membros; epa, epa, epa.

Com isso, é possível que o vencimento da turma ultrapasse o teto constitucional, uma vez que o STF decidiu não fazer a mesma coisa.

Os ministros ganham R$ 33,7 mil, o maior salário permitido a servidores públicos.

O detalhe capital: não ficou definido de onde se vai tirar para dar aos dallagnois.

Janot e Raquel vão montar um grupo de transição para apontar a fonte.

Não é só isso: o orçamento da Lava Jato em Curitiba foi de R$ 522,6 mil para R$ 1,65 milhão. Os recursos são destinados, sobretudo, para custear gastos com diárias e passagens.

O vice-procurador-geral da República, José Bonifácio de Andrada, atendeu integralmente o que havia sido solicitado pelos savonarolas da capital do Paraná.

Repito: integralmente. Ora, mas é muito atrevimento achar que seria diferente.

Segundo Bonifácio, a ideia é enviar uma mensagem positiva para “a sociedade e a mídia” — sim, antes dos interesses nacionais, vêm os interesses da imprensa.


Os procuradores vivem num mundo à parte, aquele mesmo habitado pelo traficante filho da desembargadora que saiu da cadeia para passear numa clínica.

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