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Didi, Dedé, Diagonal e Zacarias, os gênios do combate à corrupção




Lava-Jato não consegue acessar notebook de Marcelo Odebrecht porque ninguém sabe a senha


9 de agosto de 2017

Ninguém sabe qual é a senha do notebook de Marcelo Odebrecht. Nem ele mesmo. O empresário afirmou à Polícia Federal (PF) na semana passada que a senha é gerada por um dispositivo eletrônico chamado token, mas admitiu que não sabe onde está o aparelho. A situação gerou mais um embate entre a PF e o Ministério Público Federal (MPF). Em documento anexado na última segunda-feira em um dos processos contra o herdeiro da Odebrecht, a delegada da PF Renata da Silva Rodrigues criticou a Procuradoria-Geral da República (PGR) por não ter exigido que Marcelo entregasse a senha do computador antes de assinar a delação premiada.

Policiais, promotores e o próprio Marcelo Odebrecht querem ter acesso ao computador para procurar emails, planilhas e outras provas que possam ser utilizadas para comprovar as informações prestadas nas delações feitas pelos executivos da companhia. O problema é que há um ano ninguém consegue acessar o notebook.

O impasse começou em 3 agosto. Em documento assinado pelo procurador Deltan Dallagnol, o MPF reclama que o notebook de Marcelo ainda não foi analisado pela PF e solicita que o empresário seja intimado a fornecer a senha para que os policiais possam procurar as provas dos crimes admitidos por Marcelo. No dia seguinte, o delator informou aos policiais que não poderia fornecer a senha, gerada por meio de dois tokens eletrônicos, que mudam a combinação a cada acesso, porque não sabe o paradeiro dos dispositivos.

Em depoimento à delegada Renata na última sexta-feira, Marcelo relatou que desde agosto do ano passado, quando começou a negociar sua delação com a PGR, informou aos procuradores que era necessário encontrar os tokens para poder acessar os dados do notebook. Na época, os advogados teriam informado a Marcelo que “o acesso ao laptop seria solicitado pelo MPF à PF, dada a circunstância de que a PF não estava participando do acordo, e que não seria adequado aos advogados solicitar diretamente à PF por conta do sigilo”.

Ainda segundo Marcelo, os dois dispositivos teriam sido entregues ao departamento jurídico da Odebrecht em 2015, quando ele foi preso. O empresário também disse que perguntou pessoalmente aos advogados onde estariam os tokens, mas só ouviu respostas negativas. Relatou que “não mantém relações com os aludidos advogados, tendo desistido de obter a localização do token”, segundo o que está escrito em seu depoimento. Por fim, Marcelo quis deixar claro no depoimento que mencionou o problema em várias reuniões com a PGR e que teme que o problema prejudique a “efetividade da sua colaboração”.

Após ouvir Marcelo, a delegada Renata respondeu ao pedido de Dellagnol nesta segunda-feira com uma crítica: “Preocupante para as investigações que a obtenção de evidências contidas no laptop de Marcelo, e que teria sido por ele supostamente indicado à PGR como importante fonte de prova (contendo inclusive seus e-mails), não tenha sido exigida como condição sine qua non para qualquer acordo — de colaboração ou leniência, especialmente porquanto possa revelar novos fatos delitivos, ou mesmo contrariar fatos reportados pelos colaboradores (e que foram valorados para o oferecimento de benefícios).”

A PF tinha esperança que o departamento de informática da Odebrecht pudesse dar uma solução para o problema da senha. A PF tentou até usar as mesmas senhas dos celulares do empresário no notebook. Até agora, não houve sucesso.

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