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Procuradores fizeram "jogo" de "combinar" " e "construir histórias" para fechar delações


Em grampo, Joesley Batista, delator da JBS, diz que sacou intenções de procuradores do Ministério Público Federal durante as conversas para fechar o acordo de delação premiada, mas fingiu que nada estava sendo "combinado"


05/09/2017 | Cíntia Alves

Jornal GGN - Há uma semana, o advogado foragido da Justiça brasileira Rodrigo Tacla Duran colocou sob suspeita o modo como acordos de delação premiada são feitos em Curitiba, arrastando para o olho do furacão o amigo pessoal de Sergio Moro, Carlos Zucolotto, e procuradores que atuam na capital da Lava Jato em primeira instância. Agora é vez da Procuradoria Geral da República sob Rodrigo Janot ser objeto de um potencial escândalo por causa de uma gravação feita pela delator Joesley Batista. No áudio, o empresário coloca em xeque o modo como o acordo foi negociado em Brasília.
No diálogo, Joesley diz a Saud para não se preocupar porque ele já havia sacado o "jogo" do Ministério Público Federal para fechar um acordo de cooperação.

O empresário evitou dizer com todas as letras o que estava pensando, mas deu a entender que o interesse do MPF poderia ser o de ver gente do "andar de cima" implicada. Algo óbvio e já dito por Rodrigo Janot quando concedeu uma entrevista sobre o que seria cobrado de Eduardo Cunha em uma possível delação.

Em meio ao bate-papo com Saud, Joesley tece comentários sobre uma tática bastante vista na Lava Jato: o vazamento de informações impactantes à imprensa. O delator afirma que sempre que conversava com um procurador de nome "Anselmo", o noticiário era abastecido com dados de operações e, curiosamente, as reportagens não batiam diretamente na JBS.

"Para mim, eu tô entendendo o jogo. Pô... Vamos pensar. No dia em que nós ligamos pro Anselmo, toda semana teve um bum, bum, bum, bate. Não teve nada contra nós... Indiretamente... Mas conosco não teve nada", disse Joesley.

Saud respondeu dizendo "eu não concordo" e ruídos na gravação impedem que se entenda a exatidão de suas palavras, mas a intervenção ocorreu no momento em que ainda se falava de como os procuradores usavam as informações antes de fechar acordos de delação. Na sequência, Joesley rebateu dizendo que "é necessário isso. Isso é bom. Faz parte. Faz parte. [Ajuda a] Construir a história."

"Por que não combinar com você então?", pergunta Saud.

Ao longo do diálogo, Joesley e Saud citam 3 nomes que podem se referir aos procuradores Anselmo Lopes, que investigou a JBS nas operações Sepsis, Greenfield e Cui Bono; Marcelo Miller, que deixou o MPF, e Eduardo Pelella.

Segundo Saud, o procurador Marcelo chegou a pedir extraoficialmente dados da JBS para avaliar se seriam interessantes para a delação. Joesley, em tom mais exaltado, advertiu Saud que não era para "entregar nada" que não fosse pelos canais oficiais.

Em outra passagem, Saud diz que não entende o porquê desse jogo do MPF se todos pareciam "alinhados".

Joesley responde: "Porque não pode ser combinado. Você não pode entender isso. Eu entendo e não devia estar entendendo. Ninguém está entendendo. Por isso que digo da pretensão, e posso estar completamente errado, mas tenho a pretensão de achar que estou entendendo. Eu acho que entendo o que as pessoas acham. Em condição normal de pressão e temperatura, eles estão fazendo o que era previsível. Pensa no lugar deles. O que eles fariam: 'Toca pressão nesse povo'. Mas não mexe com eles..."

Joesley não explica quem são "eles" que não devem ser incomodados.

Em outro momento, Joesley dá azo à possibilidade de ter feito a delação premiada dizendo apenas coisas que interessariam ao jogo do MPF, que ele não expõe a Saud qual é. "Eu reajo muito mais pelo que acho que você está pensando do que pelo que você está falando", pontuou.


A conversa parece ter sido gravada por Joesley antes de Janot saber do grampo em Michel Temer e, portanto, sem que a delação tivesse sido fechada.

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