São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - segunda-feira 20 de novembro de 2017 - Ano: X - Edição: 3.321 - Visualizações: 19.422.689 - Postagens: 32.192

Cinzas do carvão mineral produzidas pela Eneva e EDP serão transformadas em blocos para a construção e pavimentação


Cinzas, que já eram utilizadas na indústria do cimento, passam a ser aproveitadas também em blocos para a construção e para pavimentação

06/11/2017 | Por Lucas Casimiro

Cinzas de carvão mineral produzidas por usinas termelétricas cearenses passaram a ter nova aplicação na indústria. Antes poluidoras ambientais, agora elas são utilizadas em diversos produtos no ramo da pavimentação e construção civil.

O reaproveitamento do material foi viabilizado por pesquisa conduzida pelo Laboratório de Mecânica dos Pavimentos da Universidade Federal do Ceará (LMP-UFC), coordenado pelo Prof. Jorge Soares, em convênio assinado com as empresas Eneva e Energia Pecém-Grupo EDP, ambas localizadas no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em São Gonçalo do Amarante.

Até então, esse mesmo material já vinha sendo utilizado na indústria do cimento. Com os estudos, ele passa a ter novas possibilidades tanto na construção civil como na pavimentação. O caso mais recente foi sua aplicação à massa que forma os blocos de concreto utilizados na construção das paredes, à massa do meio-fio e ao calçamento externo da nova unidade administrativa da Usina Termelétrica do Pecém (UTE-Pecém), de responsabilidade do Grupo EDP, inaugurada em outubro deste ano.

Os novos blocos de concreto foram compostos por 95% de insumo tradicional e 5% de cinza, quantidade máxima permitida pela legislação ambiental regulamentadora. Segundo a empresa, foram utilizadas aproximadamente 60 toneladas de cinzas na construção da nova unidade.

A pesquisa abre novas perspectivas para o uso desse resíduo no Estado. Atualmente, como explica o Prof. Jorge Soares, as usinas da UTE-Pecém e Pecém II já acumulam 360 mil toneladas de cinzas desse tipo. Para evitar danos ao meio ambiente, elas são misturadas com aditivos químicos, como a cal, em módulos apropriados e devidamente isolados para o depósito do insumo. Hoje, já formam pilhas com 7 metros de altura.

Contudo, a produção diária, que pode chegar a quase 1.000 toneladas do resíduo, demanda das termelétricas novos espaços de estocagem e gera despesas para sua manutenção, o que levou as empresas a investir em pesquisas para resolver o problema.

A reutilização desse material possibilita a transformação de resíduo em insumo, a geração de receita com a comercialização das cinzas e a redução de impactos ambientais em decorrência da substituição de recursos naturais por resíduos na indústria. Sua aplicação pode ser feita em camadas de pavimentos, aterros estruturais, blocos de cinza e cal, cerâmicas, materiais para impermeabilização de bacias de contenção, remediação de solos, dentre outras.

De acordo com o Prof. Jorge Soares, as cinzas são utilizadas em maior quantidade na pavimentação, mais especificamente nas subcamadas dos pavimentos. Os estudos recentes já possibilitam a aplicação meio a meio de cinza à subcamada de solo, localizada imediatamente abaixo do revestimento asfáltico, “sem causar qualquer problema estrutural ou ambiental”.

As cinzas ganharam utilidade quando as cimenteiras passaram a usá-las como matéria-prima na produção de cimento. A exemplo da cimenteira Apodi, que adquire mensalmente o insumo para produção de um tipo especial de cimento, composto por 90% de cinzas e 10% de cimento, em sua fábrica em Quixeré.

Entretanto, dependendo do tipo de carvão empregado na queima de combustível fóssil, ainda é necessária a utilização de cal nas cinzas leves para realizar o controle de emissão de enxofre. Como a indústria cimenteira somente reaproveita as cinzas com teor de cal inferior a 0,8%, o uso de cinzas com maior teor de cal é estudada pelo projeto de pesquisa e desenvolvimento do LMP.


AGÊNCIA UFC/CEARÁ 

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