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Globo que condena Lula por antecipação está toda envolvida em um escândalo de pagamento de propina para compra de direitos de transmissão de futebol


Acusada por um delator de pagar propinas na compra de direitos de transmissão de jogos de futebol, a Globo soltou nota, nesta tarde, para dizer que está à disposição dos Estados Unidos; é a primeira vez que o maior conglomerado de mídia do Brasil é envolvido diretamente no escândalo, que se desenrola desde 2015; segundo o empresário argentino Alejandro Burzaco, o acerto para o pagamento da propina teria sido feito em junho de 2012, durante um jantar em Buenos Aires, do qual participaram o então presidente da CBF, José Maria Marin; o atual presidente Marco Polo Del Nero e o então diretor de Esportes da Globo, Marcelo Campos; a grande questão é saber se a Globo terá o mesmo tratamento que concede aos alvos que persegue no Brasil, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a Globo pretende condenar para impedi-lo de disputar as próximas eleições


15 DE NOVEMBRO DE 2017

Acusada pelo delator argentino Alejandro Burzaco de pagar propinas na compra de direitos de transmissão de jogos de futebol, a Globo soltou nota nesta terça-feira, 14, para dizer que está à disposição dos Estados Unidos e que não cometeu crimes de corrupção.

É a primeira vez que o maior conglomerado de mídia do Brasil é envolvido diretamente no escândalo, que se desenrola desde 2015. Segundo o delator, o acerto para o pagamento da propina teria sido feito em junho de 2012, durante um jantar em Buenos Aires, do qual participaram o então presidente da CBF, José Maria Marin; do atual ocupante do cargo, Marco Polo Del Nero; e do então diretor de Esportes da Globo, Marcelo Campos.

A grande questão é saber se a Globo terá o mesmo tratamento que concede aos alvos que persegue no Brasil, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a Globo pretende condenar para impedi-lo de disputar as próximas eleições.

Leia, abaixo, reportagem do BuzzFeed sobre o assunto:

Globo pagou propina por direitos da Libertadores e da Sulamericana, diz delator do caso Fifa

Por Ken Bensinger e Alexandre Aragão

Delator no caso de corrupção da Fifa, o empresário argentino Alejandro Burzaco afirmou, durante depoimento em Nova York nesta terça (14), que a Globo pagou propina para adquirir direitos de transmissão de campeonatos de futebol.

O delator disse que, em junho de 2012, participou de um jantar no restaurante Tomo Uno, em Buenos Aires, com a presença do então presidente da CBF, José Maria Marin; do atual ocupante do cargo, Marco Polo Del Nero; e do então diretor de Esportes da Globo, Marcelo Campos.

Na ocasião, segundo Burzaco, o grupo acertou que os pagamentos de propina feitos em decorrência dos direitos de transmissão das copas Libertadores e Sulamericana — que antes eram destinados a Ricardo Teixeira — seriam divididos, dali em diante, entre Marin e Del Nero.

É a primeira vez que o maior conglomerado de mídia do Brasil é envolvido diretamente no escândalo, que se desenrola desde 2015. Burzaco ainda não detalhou as acusações — o depoimento ainda está acontecendo. A emissora nega as acusações e diz que "não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina" (leia a íntegra ao final do post).

O ex-executivo da Globo Marcelo Campos e o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira tinham uma relação próxima. Eles eram, inclusive, vizinhos em um sítio na cidade de Barra do Piraí, no interior fluminense.

Ex-presidente da produtora Torneos, também conhecida como TyC, Burzaco negociava com os canais de televisão os direitos de transmissão, tanto na Argentina como em outros países da América Latina.

O empresário está colaborando com a investigação, que é liderada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e pagou US$ 112 milhões de multa. Ele afirmou em seu depoimento à juíza Pamela K. Chen que a Torneos, junto com emissoras de TV, pagou propinas para assegurar direitos de transmissão.

Além da Globo, o argentino citou a Fox Sports — atual detentora dos direitos de transmissão da Copa Libertadores no Brasil, por exemplo — e a mexicana Televisa dentre as emissoras de televisão que teriam feito parte do esquema.

Segundo Burzaco, a Fox Sports pagou US$ 3,7 milhões pelos direitos de transmissão da Libertadores e da Sulamericana. No Brasil, o canal é dono dos direitos para transmitir a competição, que sublicencia para a Globosat, desde 2012, quando estreou por aqui.

O BuzzFeed News não conseguiu contato com a Fox Sports, mas, em outras ocasiões, a emissora negou irregularidades.

Até agora, a principal empresa brasileira envolvida no escândalo da Fifa era a Traffic, empresa de mídia cujo dono, José Hawilla, também fechou acordo com as autoridades dos Estados Unidos. Ele concordou em pagar US$ 151 milhões a título de indenização.

Em sua delação, Hawilla acusou a cúpula da CBF — incluindo o atual presidente, Marco Polo Del Nero — de receber propina em troca dos direitos de transmissão de campeonatos nacionais. O empresário, que é dono da TV Tem, afiliada da Globo no interior de São Paulo, não citou outras empresas de mídia em sua delação.

Ricardo Teixeira e José Maria Marin

Em seu depoimento, Burzaco disse que o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira recebeu US$ 600 mil por ano, desde 2006, a título de propina dos contratos de transmissão da Copa Libertadores e da Copa Sulamericana, torneios organizados pela Conmebol.

Segundo o empresário, Teixeira recebia os pagamentos em contas no Oriente Médio, na Ásia e em Andorra. Os pagamentos chegaram a ser viabilizados, segundo o argentino, pelo próprio Teixeira. "Nós tinhamos problemas constantes com bancos que não queriam enviar dinheiro a esses destinos exóticos", disse Burzaco.

O BuzzFeed News não conseguiu contato com a defesa de Teixeira. Em entrevistaconcedida ao jornal Folha de S.Paulo, em junho, o ex-cartola negou ter recebido dinheiro ilegal.

Outro ex-presidente da CBF, José Maria Marin, também foi acusado pelo argentino de receber propina. Ele está em prisão domiciliar em seu apartamento na Trump Tower, em Nova York, e é réu na mesma ação em que o argentino testemunhou — mas, ao contrário de Burzaco, o brasileiro nega ter recebido dinheiro ilegal.


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