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Advogado Zucolotto amigo e padrinho de Sérgio Moro será convidado pela CPMI a explicar R$ 5 milhões que recebeu por 'por fora'


Para parlamentares, não há mais como adiar convite ao advogado, padrinho de casamento do juiz, para explicar ligações com Lava Jato e pedido de dinheiro não registrado


Por Hylda Cavalcanti, da RBA | 02/12/2017

Brasília – Deputados e senadores que integram a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS estão reivindicando que na próxima semana seja convidado para depor o advogado do Paraná Carlos Zucolotto. A CPMI ouviu ontem (30), por videoconferência, o depoimento do ex-advogado Odebrecht Rodrigo Tacla Duran. Os parlamentares consideraram graves as denúncias levadas pelo advogado, que está na Espanha.

Duram revelou que o advogado Zucolotto, amigo e padrinho de casamento do juiz Sérgio Moro, pediu R$ 5 milhões “por fora” para conseguir aliviar a multa que teria de pagar, se firmasse acordo com a Operação Lava Jato.

O advogado da Odebrecht admitiu a deputados e senadores ter contratado profissionais da capital paranaense por ter sido aconselhado a colocar alguém que fosse “da patota de Curitiba” – dando a entender que podem existir acordos entre as bancas de advocacia daquela capital e a equipe da Lava Jato. “São graves os fatos e queremos ouvir a versão de Zocolotto”, disse o deputado Paulo Teixeira (PT-RS). 

Tacla Duran evitou falar, durante seu depoimento, na mulher do juiz federal Sérgio Moro, Rosângela Moro, do escritório de advocacia de Zucolotto, que foi contratado por Duran, e disse que nada tem contra o magistrado. “Apenas acho que ele (Moro) tomou atitudes exageradas que me prejudicaram”.

Duran disse que os documentos de sua defesa que deveriam ter sido assinados pelo escritório nos autos do processo tiveram o nome de Zucolotto e da equipe retirado dos autos. E confirmou ter recebido uma proposta do advogado paranaense para que os pagamentos dos honorários advocatícios tivessem uma parte feita “por fora”, o que deu a entender, a seu ver, que se tratava de uso de recursos para um possível caixa 2 ou pagamento a terceiros.

 ‘Autonomia do MP’

Ao final da reunião da CPMI, também o deputado Wadih Damous (PT-RJ) pediu a palavra para denunciar o que chamou de “ataques” que têm sido feitos por integrantes do Ministério Público a ele e outros parlamentares da comissão. “Não deixarei passar em branco nem ameaças nem ironias feitas por redes sociais por membros do Ministério Público”, afirmou.
A declaração de Damous foi dirigida à procuradora Mônica Checker, autora de uma nota no Twitter o criticando e dizendo que ele teria afirmado que os procuradores não deveriam ter autonomia funcional.

“Jamais disse isso, mas continuo afirmando que há um exagero na autonomia dos membros do MP. Quem tenta distorcer a afirmação de alguém está mentindo”, destacou o parlamentar.

Os integrantes da CPMI também destacaram que querem descobrir, daqui por diante, quem é o suposto técnico de Tecnologia de Informação da Odebrecht que desconectou o sistema interno da empresa, com documentos que segundo Tacla Duran, foram fraudados. O advogado disse não ter conhecimento de sobrenome nem contatos, mas sabe ser alguém chamado por Sebastião.

“Vamos agora tentar descobrir quem é o Sebastião e qual o seu envolvimento na modificação de documentos da Odebrecht”, afirmou Paulo Pimenta.

A oitiva dos parlamentares com o advogado durou mais de três horas e resultou em várias declarações que chamaram a atenção. Entre elas, a de que documentos entregues em delação premiada por executivos da Odebrecht foram adulterados e a confirmação de que a empresa realizou um grande encontro com seus executivos para acertar o que iriam dizer e como dizer em seus depoimentos nas delações homologadas (77 ao todo).


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