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Brasil saiu do inferno para o paraíso, depois do encontro de Temer com o dono da Globo


O jornalista Ricardo Kotscho mostra como a postura da Globo em relação a Michel Temer mudou após o encontro em outubro entre o peemedebista e João Roberto Marinho, um dos herdeiros do grupo; "Já nem dá para saber o que é notícia e o que é propaganda oficial, as canções maviosas se sucedendo a embalar gente feliz", diz Kotscho

21 DE DEZEMBRO DE 2017 | Por: Ricardo Kotscho

O jornalista Ricardo Kotscho escreve coluna mostrando como a postura da mídia em relação a Michel Temer mudou após o encontro em outubro entre o peemedebista e os donos da Globo. "Já nem dá para saber o que é notícia e o que é propaganda oficial, as canções maviosas se sucedendo a embalar gente feliz", diz Kotscho.

Qual foi o milagre para tudo mudar tão rapidamente? Uma pequena notícia publicada na página A7 da Folha desta quinta-feira, sob o título “Presidente teve encontro com a cúpula da Globo”, talvez ajude a entender esta mudança radical. "Apoio para a reforma da Previdência não precisava nem pedir, já que toda a mídia está a seu favor, como o próprio presidente já tinha afirmado por estes dias", comenta o colunista.

O objetivo era outro, relatam os repórteres Marina Dias e Bruno Boghossian: “O presidente reclamou da cobertura do caso JBS pelos veículos do grupo, que tinha, segundo o político, o objetivo de derrubá-lo. Uma das reclamações centrais de Temer foi o editorial de O Globo, em 19 de maio. Intitulado “A renúncia do presidente”, defendia a saída de Temer do cargo como a melhor opção do país”. O colunista Ricardo Noblat chegou a anunciar na véspera que a renúncia era uma questão de horas.

Relembra Kotscho: "De fato, a partir daquele dia, o maior grupo de comunicação do país deflagrou em todos os seus veículos uma campanha sem tréguas contra o governo de Temer, que chegou a lembrar os meses que antecederam o impeachment de Dilma Rousseff". Tudo mudou depois de Temer derrubar a segunda denúncia de Rodrigo Janot na Câmara, quando o ministro Moreira Franco assumiu o controle da propaganda oficial do governo e iniciou uma contraofensiva junto aos principais veículos.

"Por trás destas conversas com a Globo e os demais, havia um inimigo comum a assombrar a todos, como se dissessem uns aos outros: “Se nós não nos unirmos agora, o Lula vai acabar ganhando estas eleições”, como já tinha alertado o ministro tucano Aloysio Nunes. Resta saber o que sua excelência, o eleitor, está achando de toda esta movimentação do establishment em busca de um candidato governista", questiona Kotscho.


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