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EMIR SADER | Caravana do Lula demonstra o potencial da esquerda no Rio

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

11 de Dezembro de 2017

As Caravanas do Lula tem servido, também, para despertar nas pessoas a esperança e a vontade de lutar, as razões pelas quais lutar, o horizonte de luta e como podemos recuperar o país. Foi assim nos nove estados do nordeste, foi assim em Minas Gerais e agora se reproduziu no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.

O Rio é um caso exemplar, porque foi o estado que mais recebeu atenção e investimentos dos governos do PT e que mais sofre com a política econômica suicida do governo golpista. Os ataques à Petrobras, a privatização de campos do pé-sal, o desmonte da indústria naval, a paralisação do Comperj, da usina de Duque de Caxias, do porto de Maricás, entre outros, produzem um cenário de paralisação do Rio, de estagnação total da economia, de aprofundamento da crise social, de ausência total do poder público – estadual e municipal.


A Caravana do Lula voltou a despertar no Rio a esperança de recuperar sua auto estima, sua economia, sua educação pública, sua capacidade de gerar empregos, de encantar o Brasil e o mundo. O Rio é a imagem do país no mundo, como o Lula reitera. Aqui mesmo, falar mal do Rio, degradar sua imagem é jogar a auto estima dos brasileiros para baixo.

O Rio é um estado muito fragmentado, econômica e socialmente. O Brizola tinha conseguido unificar o estado politicamente, depois perdeu essa capacidade. O Lula ocupou esse lugar na preferência politica dos cariocas, mas sem nunca ter representantes dessa liderança no próprio Rio.

A Caravana permite ver que o encanto dos cariocas pelo Lula está de pé. O povo carioca, os trabalhadores, os jovens, os intelectuais, os estudantes, os técnicos, os artistas, olham para o Lula com o olhar de esperança.

O Rio precisa e tem uma nova oportunidade de se reconstruir. Que a ausência total do poder publico sirva para que se renovem as lideranças e os governantes do Rio

O Lula aposta fortemente que o nome do Celso Amorim possa representar essa renovação. Um nome originário do Rio, embora tenha feito sua carreira de diplomata pelo mundo afora. Um nome de muito prestígio, sem nada que afete sua imagem pública. Alguém que pode representar a renovação e a recuperação da imagem do Rio.

Para isso, é indispensável e urgente a elaboração de um projeto de reconstrução do Rio, porque se trata de reconstrução, sobre as ruínas em que se encontram a capital e o estado. Lula deixa claro que qualquer solução para o Rio passa por uma participação direta do governo federal, seja nos investimentos parados, seja na recuperação da Petrobras e da indústria naval, na retomada dos programas sociais, na promoção do extraordinário potencial cultural do Rio.

Lula não é o mesmo depois a Caravana, incorporou o que é o Rio hoje, assumiu a luta da Uerj, sentiu diretamente o que é hoje Campos, Maricá, toda a baixada fluminense, a cidade do Rio. E o Rio não é o mesmo depois da Caravana do Lula. Volta a se vestir de esperança, sente como o destino do Rio depende do destino do Brasil, percebe que ha um caminho de recuperação do Rio e que esse caminho está estreitamente ligado ao caminho de recuperação do Brasil.

O Rio tem uma longa tradição de esquerda, presente no seu povo, no seu mundo cultural, na sua vida intelectual, nos seus movimentos sociais. O que ele precisa agora é unir tudo isso num projeto de resgate do Rio, unido indissoluvelmente ao resgate do Brasil, representado hoje pelo Lula. O encerramento da Caravana com o belíssimo ato na Uerj e a importante e expressiva reunião do Lula com artistas e intelectuais demonstra que esse caminho já está dando seus primeiros passos.


Brasil 247

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