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RIBAMAR FONSECA | Ainda há tempo de suspender o julgamento e evitar conflitos

Jornalista e escritor

18 de Janeiro de 2018

O presidente do TRF-4, desembargador Thompson Flores, conseguiu, com a ajuda da mídia golpista, criar um clima de repressão aos brasileiros de todo o país que pretendem ocupar Porto Alegre no próximo dia 24, para acompanhar o julgamento do recurso do ex-presidente Lula contra a sua condenação sem crime pelo juiz Sergio Moro. Tendo o ódio como principal ingrediente para a montagem do esquema repressor, conforme é fácil perceber pelo comportamento, entre outros, do prefeito fascista Nelson Marchezan, fica faltando apenas a justificativa para a deflagração da repressão, o que não será muito difícil de obter: bastará que os adversários odientos de Lula infiltrem baderneiros entre os manifestantes. Qualquer gesto que pareça violência será suficiente para acender o estopim da pancadaria, provocando uma explosão de ânimos de consequências imprevisíveis. Por isso, os organizadores das manifestações deverão estar atentos para a ação de baderneiros infiltrados.


Isso tudo, no entanto, poderá ser evitado se o julgamento for suspenso, não por conta das pressões do povo mas porque está provado que a condenação foi determinada pelo juiz Sergio Moro com base numa grande mentira, já que o tríplex do Guarujá, motivo da sentença, não pertence ao ex-presidente operário. Se essa providência não for tomada, considerando a magnitude da operação montada a pretexto de garantir a segurança e a ordem pública, um verdadeiro aparato de guerra, com a participação de vários organismos policiais, ninguém poderá prever os acontecimentos, inclusive a possibilidade de vítimas. Os principais responsáveis por eles serão, em primeiro lugar, o juiz Sergio Moro, que condenou Lula sem crime; em segundo lugar o presidente do TRF-4, desembargador Thompson Flores, caso não suspenda o julgamento; em terceiro lugar a ministra Carmen Lúcia, presidente do Supremo, que tem consciência da ilegalidade da condenação e, também, tem poderes para suspender o julgamento e anular o processo, porque montado em bases falsas; e em quarto lugar a mídia golpista, que incentiva a repressão.

O TRF-4 terá de decidir entre preservar o juiz de Curitiba do descrédito, por ter sido flagrado forjando um crime para condenar o líder petista, ou evitar um confronto de graves consequências, suspendendo o julgamento. Com a suspensão será naturalmente esvaziada a mobilização de manifestantes para Porto Alegre, por falta de motivação, evitando-se acontecimentos dolorosos para todos. Essa decisão tem de ser tomada de imediato, a tempo de interromper o movimento de manifestantes em direção à capital gaúcha e, também, a montagem da operação repressora com a participação da Brigada Militar Gaúcha, das Policias Civil, Federal e Rodoviária Estadual e Federal, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), do Exército, Marinha e Aeronáutica, dos Bombeiros e da Força Nacional, conforme informou o Secretário de Segurança do Rio Grande do Sul. Segundo ele, foi formado o Grupo de Gestão Integrada (GGI) para coordenar a ação, uma verdadeira operação de guerra, o que dá bem uma idéia da gravidade da situação criada por um juiz de primeira instância descomprometido com a Justiça.

Todos os principais atores do espetáculo montado em Porto Alegre, em especial os desembargadores do TRF-4, devem ter consciência da sua responsabilidade nos acontecimentos, perfeitamente evitáveis com uma simples providência. Nenhum membro da Corte da capital gaúcha pode alegar, depois do caldo derramado, desconhecimento da farsa montada pela Lava-Jato para eliminar Lula do cenário político, muito menos os ministros do Supremo Tribunal Federal, em particular a sua presidenta. Embora a mídia golpista se esforce para esconder os fatos que inocentam o ex-presidente, como por exemplo a penhora do tríplex do Guarujá, a Internet está abarrotada de notícias sobre a decisão da juiza Luciana, além de centenas de comentários inclusive de juristas sobre a escandalosa perseguição a Lula pelo juiz Moro. Por isso, ninguém no Brasil pode justificar seu alheamento por falta de informações, pois hoje até dos mais distantes rincões do planeta a situação do nosso pais vem sendo acompanhada de perto. E com manifestações de estarrecimento diante do comportamento do Judiciário.

Não é de hoje que a perseguição a Lula pela Lava-Jato tem sido denunciada, até para a ONU, mas o Supremo Tribunal Federal, por covardia ou interesse político, tem mantido um silêncio sepulcral sobre a questão. Nem mesmo os ministros nomeados pelos governos petistas têm coragem de se pronunciar, não se sabe se com medo do juiz Moro ou da mídia, em especial da Globo, que tem praticamente pautado a agenda do Judiciário. Como consequência, consciente de que ninguém tem coragem de puni-lo, o juiz de Curitiba faz o que quer na tarefa de ignorar os argumentos e provas apresentados pela defesa do líder petista, inclusive negando sistematicamente o depoimento do advogado Tacla Duran, que já disse ter documentos de importância vital que provam certos desvios da Lava-Jato. Na verdade, se as instâncias superiores do Judiciário já tivessem tomado providências para estancar os abusos de Moro, a situação não teria chegado a este ponto, com uma condenação estribada em bases falsas. Bastaria a pergunta feita pelo deputado mineiro Rogerio Correia para demolir a farsa: por que o juiz Moro, que confiscou tudo de Lula, até um carro velho e sua poupança, não confiscou o tríplex do Guarujá? A resposta é simples: porque sabia que o imóvel não era dele.


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