"Três bandidos escolheram o caminho do cemitério" diz o Secretário de Segurança do Ceará


Titular da Secretaria de Segurança afirmou que trio escolheu o caminho do cemitério. André Costa fez declaração semelhante no início do ano e dividiu opiniões sobre o posicionamento


05 DE JANEIRO DE 2018

Depois de causar polêmica ao apontar dois caminhos para quem comete crimes contra policiais: a Justiça ou o cemitério, o secretário André Costa, da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), voltou a fazer as declarações semelhantes nessa quinta-feira, 4. Ao comentar a morte de três homens que, segundo ele, estavam praticando homicídios e roubos em Icó, Acopiara, Lavras e Iguatu, ele afirmou que os "três bandidos escolheram o caminho do cemitério"

Costa relatou que durante abordagem do Comando Tático Rural (Cotar), alguns dos suspeitos atiraram contra os agentes da Segurança Pública. “Os choqueanos reagiram à altura e três bandidos foram mortos”, exaltou.

Declaração polêmica

Quando fez a primeira vez a declaração, o secretário foi criticado por dar margens aos policiais interpretarem erroneamente que os excessos serão respaldados pelo Estado. Uma das queixas veio do promotor de Justiça Marcus Renan Palácio. “Só há um caminho dentro da institucionalidade, que é o da Justiça. Falar em cemitério pode estimular reações desviadas e abusivas. Vide, por exemplo, a Chacina do Curió”, disse à época ao O POVO.

Sobre o assunto
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Deputado estadual e relator do Comitê Cearense pela Prevenção dos Homicídios na Adolescência, Renato Roseno (Psol), também lamentou a fala de Costa no início do ano. “Entendo que possa não ser esta a intenção, mas este discurso pode estar incitando mais violência em territórios já muito marcados pelo conflito”.

O governador Camilo Santana (PT), por outro lado, foi cauteloso ao defender o titular da SSPDS. “Acho que houve uma má interpretação, de certa forma, do próprio secretário. Ele é uma pessoa jovem, é um professor de Direito Penal, então jamais poderia interpretar dessa maneira”, disse em janeiro.

Primeiro tiro

Nas declarações da última quarta-feira, André Costa argumentou que já configura legítima defesa quando alguém está em iminência de agredir outras pessoas, não necessariamente precisa haver o ato. “Se decidiu sacar a arma, a agressão já passa a ser iminente. E o policial deve fazer de tudo o que é necessário para evitar que inocentes sejam mortos”, explicou.

Segundo ele, a orientação dada aos policiais é que se alguém decidir colocar a arma em punho, os agentes devem agir. “O primeiro, o segundo, o terceiro e até o último tiro devem ser todos dos policiais. Até cessar a injusta agressão”, ressaltou. Costa finalizou parabenizando os policiais do Cotar. “Continuem firmes na missão, implacáveis contra esses criminosos. Linha dura com ações legítimas, dentro da legalidade”, disse.


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