Cadê as multidões convocadas pelos “movimentos apartidários” tipo MBL e Vem Pra Rua, desfilando com a camisa da CBF para a televisão, carregando faixas e cartazes, xingando Dilma e Lula?
30 de Março De 2018 | Por Ricardo Kotscho
Cadê as
paneleiras que não podiam ver a cara de Dilma na TV que já entravam em transe e
começavam a gritar palavrões ao lado os filhos nos idos de 2016, quando Romero
Jucá já queria “estancar a sangria, com o Supremo, com tudo”, e colocar Temer
em seu lugar?
Cadê os patos
da Fiesp de Paulo Skaf, que desfilavam pela avenida Paulista?
Cadê as
multidões convocadas pelos “movimentos apartidários” tipo MBL e Vem Pra Rua,
desfilando com a camisa da CBF para a televisão, carregando faixas e cartazes,
xingando Dilma e Lula?
Reina agora o
mais absoluto silêncio nas varandas e nas ruas como se a Lava Jato tivesse
exterminado a corrupção para sempre. A TV continua com sua programação normal.
Prenderam a
quadrilha toda do PMDB denunciada pelo ex-procurador geral Rodrigo Janot, e não
se ouve um pio de indignação.
Já estavam em
cana Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves e Rocha Loures
(este em prisão domiciliar). Hoje, levaram também José Yunes, coronel Lima e
Wagner Rossi para a prisão preventiva. Ou seja, todo o alto comando do PMDB
comandado por Temer.
Só Temer
escapou até agora, além dos fiéis Eliseu Padilha e Moreira Franco, escorados no
foro privilegiado.
Esta semana,
discretamente, por ironia do destino também foi denunciado ao STF pela
Procuradoria Geral da República o candidato tucano derrotado em 2014 _ o
mineirinho Aécio Neves, lembram-se dele?
Foi o primeiro
a colocar fogo no circo no dia seguinte à eleição, pedindo recontagem dos
votos, “só para encher o saco do PT”, e deu no que deu.
Cadê os
adoradores de Eduardo Cunha e todos os heróis daquelas jornadas gloriosas que
viabilizaram o golpe parlamentar para combater a corrupção do PT?
Os idiotas do
patriotismo seletivo certamente vão dizer que eles eram aliados do PT, como se
essa gente não estivesse no poder desde sempre, com qualquer partido.
Com o rabinho
entre as pernas, eles viram o ex-capitão Jair Bolsonaro tomar suas bandeiras e
seus votos e agora estão sem candidato viável.
Sei não, mas
se não encontrarem logo um candidato competitivo para chamar de seu, a fina
flor do reacionarismo nacional pode querer melar este jogo.
Com Temer e
sua turma da “Ponte para o Futuro” encurralados ou encarcerados e seus
candidatos encalhados nas pesquisas, será que voltarão às varandas e às ruas
para gritar o quê?
Depois do pato
que virou sapo, que bicho vão encontrar para os empresários posarem em frente à
Fiesp, com bonecos nas mãos, como colegiais em dia de desfile?
Em nome do
medo do “comunismo” e do combate à corrupção (dos outros), as aspirantes a
madame e os industriais sem fábricas o que estarão pensando neste momento?
Do jeito que
vai, não sobrarão mansões em Miami nem quintas em Portugal para abrigar toda
esta gente cheirosa que perdeu a noção e o rumo, mas não a pose.
Vão deixar
para trás mais de 13 milhões de desempregados e seus sonhos de viver no
Primeiro Mundo sem sair daqui, cercados de seguranças, favelas e moradores de
rua por todos os lados.
É tudo muito
triste, mas ainda pode piorar. Este buraco que cavaram parece não ter fundo.
E vida que
segue.

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