Moro deixa STF menor do que Cármen o deixou | RIBAMAR FONSECA


Jornalista e escritor

27 de Abril de 2018

A intolerância e o ódio disseminados pela mídia e redes sociais, que envenenaram parte da população contra os políticos, especialmente contra Lula e o PT, contaminaram também juízes, promotores e até jornalistas. A recente decisão da 2ª. Turma do Supremo Tribunal Federal, que tirou das mãos do juiz Sergio Moro os processos que acusam o ex-presidente petista de ser proprietário do sitio de Atibaia, parece que deixou todos enlouquecidos. A mídia, à frente a Globo, reagiu furiosamente contra a Suprema Corte, ao mesmo tempo em que incrementou a publicação de matérias distorcidas para incriminar Lula. A TV, que havia esquecido o líder petista desde a sua prisão, voltou a citá-lo, dedicando grandes espaços para atiçar o ódio contra ele em seu público imbecilizado. E as manifestações de ódio começaram a explodir nas redes sociais.


O promotor Ricardo Montemor ficou tão enlouquecido que chamou os ministros do STF de "canalhas" e "fdp", perguntando "até quando vamos aguentar esta bandidagem togada?", o que reflete a esculhambação em que transformaram o Judiciário, onde não há mais respeito sequer aos superiores hierárquicos. O coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, divulgou nota dizendo que a decisão do STF "não tem qualquer repercussão sobre a competência do juiz Sergio Moro para promover e processar a presente ação". E o próprio juiz Moro, que ao longo do tempo tem se comportado como a maior autoridade da Justiça brasileira com o reconhecimento tácito das instâncias superiores, se recusou a acatar a determinação da Corte Suprema, não enviando os processos para a justiça de São Paulo. Ou seja, o Supremo está sendo desmoralizado até mesmo pelos seus subordinados. E vai ficar por isso mesmo?

Apoiado pela Globo, que o transformou em celebridade e com quem se associou para perseguir Lula, o juiz Sergio Moro se atribuiu tamanho poder que passou por cima da Constituição em suas decisões, fazendo suas próprias leis para o cometimento de abusos. Grampeou uma conversa da presidenta da República com um ex-presidente e divulgou o seu conteúdo, um crime previsto pela Constituição que seria motivo de prisão e perda do cargo em qualquer país sério. Até hoje, porém, não sofreu sequer uma advertência e a representação que o PT moveu contra ele há bastante tempo, no Conselho Nacional de Justiça, vem sendo procrastinada pela sua presidenta, ministra Cármen Lúcia, que também é presidenta do STF. E agora? Se desta vez o Supremo não tomar nenhuma atitude talvez seja melhor mesmo fechá-lo e coroar Moro imperador, porque a Corte Suprema estará inteiramente desmoralizada.

Ao que parece, o Supremo e o Conselho Nacional de Justiça perderam o controle sobre o Judiciário, pois juízes de primeira instância, seguindo o exemplo de Moro, se tornaram semideuses, com poderes extraordinários, tomando decisões esdrúxulas não contestadas pelas instâncias superiores. A juíza Carolina Lebbos, do Paraná, por exemplo, decidiu proibir todas as visitas ao ex-presidente Lula no cárcere, na Policia Federal, até mesmo do seu médico particular. Afinal, Lula está mesmo incomunicável? Neste caso confirma-se a suspeita de que vivemos mesmo num regime de exceção e que ele é um preso político. De outro modo, por que as instâncias superiores não colocam um freio no abuso e na arrogância da juíza Lebbos? E se ele morrer sem assistência médica, quem será responsabilizado? Até o jornalista Ricardo Boechat, antes aparentemente equilibrado, perdeu o controle e fez um comentário infeliz e grosseiro sobre a visita da ex-presidenta Dilma Roussef. A quem, afinal, compete colocar ordem nessa bagunça em que o Judiciário se transformou?

Vale registrar a estranheza ante a reação furiosa da mídia e dos imbecis teleguiados da Globo diante da decisão da segunda turma do STF. Quando o Supremo negou o habeas corpus que permitiu a prisão de Lula esses mesmos indignados de agora festejaram a decisão, o que mais uma vez reflete esse ódio absurdo que se implantou no país e que se materializa em agressões verbais e físicas. E os seus autores ficam impunes porque os que deveriam puni-los também estão contaminados pelo mesmo ódio. Alguém por acaso já foi identificado e punido pelos atentados a tiros à caravana de Lula? Já identificaram a puniram o sujeito que, usando frequência privativa da Aeronáutica, recomendou que Lula fosse lançado do avião que o transportou a Curitiba? Já puniram o juiz de Petrópolis que pediu para alguém agredir a senadora Gleisei Hoffman? Na verdade, a cada dia fica mais visível a estrutura montada no Judiciário, com o apoio da Globo e o estímulo do odio, para banir Lula da vida pública, impedindo-o de voltar ao Palácio do Planalto.

Ainda nesta sexta-feira a revista "Época", da Globo, publicou reportagem informando que o ministro Gilmar Mendes "tem dito que as possibilidades de o ex-presidente deixar a cadeia só vão melhorar quando ele se declarar fora do páreo presidencial". Confirma-se, assim, mais uma vez, a suspeita de que o circo armado pela Lava-Jato, com o apoio explícito da mídia, sempre teve o objetivo de impedir Lula de concorrer à Presidência da República, pois a sua eleição, segundo as pesquisas, poderia acontecer já no primeiro turno. Constata-se, desse modo, que toda essa farsa de combate à corrupção foi uma cortina de fumaça para esconder dos olhos do povo o verdadeiro alvo da Lava-Jato: Lula e o PT. Aliás, o mundo inteiro já havia percebido isso, menos os imbecis robotizados pela Globo, que acreditam mesmo que a corrupção esteja sendo combatida, embora os verdadeiros corruptos confessos estejam em liberdade e alguns até sem tornozeleira, desfrutando do dinheiro que roubaram. E depois da eleição sem Lula, a Lava-Jato se extinguirá, porque já terá cumprido a sua missão, e Moro irá gozar o seu feito em sua pátria, os Estados Unidos da América.


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