São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - quinta-feira 21 de Junho de 2018 - Ano: X - Edição: 3.534

Pesquisa do DATAFOLHA é uma farsa, afirma jornalista Bajonas Teixeira





"Para que essa comparação não fosse uma farsa, seria simples: bastaria o DataFolha manter os dados da pesquisa anterior, ou seja, os mesmos candidatos e os mesmos cenários. Só nesse caso, a comparação seria metodologicamente legítima. Se novos candidatos entraram, e outros saíram, que se fizesse uma pesquisa à parte. Já que era sabido, desde o início, que a atual pesquisa, se destinava a fazer a comparação entre a situação de janeiro e esta agora, após a prisão", diz o jornalista
16 DE ABRIL DE 2018

Por Bajonas Teixeira, no Cafezinho – A pesquisa divulgada neste domingo pelo DataFolha nos faz crer que Lula caiu de 37 para 31% nas intenções de voto, e que isso é consequência da sua prisão. No entanto, ao analisar o artigo do diretor-geral do DataFolha, Mauro Paulino, publicado no portal UOL, aparecem graves motivos para duvidar desse resultado. O pior deles é que foram mudados os cenários e o número de candidatos e isso, como diz o diretor-geral, impede que se compare as duas pesquisas. No entanto, como vamos ver, ele mesmo foi o primeiro a fazer essa comparação.

Mas, como evitar a comparação? A pesquisa foi feita justamente para comparar o cenário atual, após a prisão, com o de janeiro.  E o país inteiro, nesse momento, está fazendo essa comparação – ilícita, diz o diretor-geral do DataFolha – do Lula com 37 % em janeiro com o Lula com 31% hoje.
E o primeiro a fazer o que não deveria ser feito foi o próprio diretor-geral do DataFolha em seu artigo. Como pode isso? Vejamos a coisa de perto.
artigo do diretor geral do DataFolha Mauro Paulino causa perplexidade. Como se sabe, a consulta eleitoral é um caso extremo de expressão da opinião pública. E a opinião pública mostra linhas de coerência, tendências gerais, que não podem estar em relação assimétrica, ou inversa, sem nos despertar desconfiança. E é esse o caso da pesquisa do DataFolha. Diz o diretor-geral comentando a pesquisa que:
“o potencial do ex-presidente como cabo eleitoral oscila positivamente, e a rejeição à sua candidatura, ao invés de crescer com sua prisão, cai quatro pontos percentuais.”
Isso é totalmente incompatível com uma queda nas intenções de voto em Lula. Não é possível que duas tendências se acentuem positivamente para Lula (ou seja, que se torne um cabo eleitoral mais forte e que sua rejeição caia quatro pontos percentuais) e outra variável, derivada dessas duas, a intenção de votos nele, siga trajetória negativa, ou seja, que passe de 37 (em janeiro) para 31% das intenções de voto (em abril).
Só num país de loucos varridos, se poderia crer que esse saco de gatos disparatado de tendências (positivas e negativas) poderia descer goela abaixo dos leitores. Ou seja, parece que estão servindo gato por lebre.
O pior é que os dados positivos para Lula não constam do artigo principal em que o UOL hoje, o portal da Folha, divulgou a pesquisa: Prisão enfraquece Lula e põe Marina perto de Bolsonaro, diz Datafolha
Além disso, outra surpresa, justamente na pergunta principal do DataFolha. Diz o seu diretor:
“Nas respostas espontâneas, sem o estímulo do cartão que contém os nomes dos candidatos, menções ao ex-presidente caem quatro pontos percentuais em relação ao levantamento de janeiro.”
Ou seja, pergunta-se algo como “Em quem você votaria para presidente esse ano?”, sem mostrar nomes ou imagens de candidatos, e aí verifica-se que as “menções ao ex-presidente caem quatro pontos percentuais em relação ao levantamento de janeiro”.
A primeira coisa curiosa, é que segundo o artigo “os demais candidatos não crescem”. Para isso, porém, ensaia-se uma explicação: a do aumento significativo das declarações de voto nulo ou em branco: “21% dizem que votarão em branco ou nulo, um patamar inédito em pesquisas eleitorais a seis meses do pleito.”
No entanto, o que mais acende o alerta crítico em relação à pesquisa é que, precisamente após trazer essa informação fazendo a comparação com a pesquisa de janeiro, se diz que essa comparação não pode ser feita. Repito para o leitor, para que esse ponto fique absolutamente claro. O diretor do DataFolha acaba de afirmar o seguinte: “menções ao ex-presidente caem quatro pontos percentuais em relação ao levantamento de janeiro”.
E ai, quase na frase seguinte, nos brinda com essa pérola:
“Os resultados das perguntas sobre o primeiro turno não permitem comparações com os da pesquisa de janeiro porque os cenários testados são diferentes, com inclusão de novas candidaturas e exclusão de outras.”
Ora, como não se o diretor-geral do DataFolha inicia seu artigo justamente com essa comparação? Além disso, como não fazer a comparação se toda a pesquisa é destinada justamente a fazer essa comparação, isto é, comparar as intenções de voto em Lula de janeiro com a mudança nessas intenções de voto após sua prisão?
Para que essa comparação não fosse uma farsa, seria simples: bastaria o DataFolha manter os dados da pesquisa anterior, ou seja, os mesmos candidatos e os mesmos cenários. Só nesse caso, a comparação seria metodologicamente legítima.
Se novos candidatos entraram, e outros saíram, que se fizesse uma pesquisa à parte. Já que era sabido, desde o início, que a atual pesquisa, se destinava a fazer a comparação entre a situação de janeiro e esta agora, após a prisão.
Sem ter feito isso, foi como se vândalos mudassem inteiramente não o cenário mas sim a cena do crime.
É preciso lançar todas as luzes da suspeita sobre essa pesquisa. Sobre esse estranho procedimento metodológico e sobre a própria estratégia de divulgação. O PT deve pedir o estudo pormenorizado dos seus dados, das suas perguntas e dos seus cenários. Ver o quanto essas alterações podem ter tido efeito manipulatório e, se for o caso, denuncia-la.
Não podemos esquecer que não há um abismo entre a situação de Lula em janeiro e a situação dele em abril. Se agora ele está preso, em janeiro já estava condenado e, mais que condenado, massacrado diuturnamente, e isso há mais de dois anos, pelas forças coligadas da mídia brasileira, da justiça e do fascismo. Nada mudou entre janeiro e abril.



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