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Prisão de Lula não é o fim da sua perseguição | RIBAMAR FONSECA


Jornalista e escritor

14 de Abril de 2018

A Constituição, que é a garantia do estado de direito de todo país democrata, no Brasil foi lançada no lixo pelo próprio Judiciário que, já faz algum tempo, passou a fazer suas próprias leis ao sabor das circunstâncias, da coloração política do réu e das convicções de cada juiz. E com a Carta Magna rasgada, no lixo, o Judiciário decidiu também assumir os poderes totais da Nação, inclusive selecionando quem pode e quem não pode concorrer às eleições, escancarando a ditadura da toga que, seguindo uma estratégia previamente traçada, criminalizou a classe política. Prova disso é que em recentes declarações, o ministro Luiz Roberto Barroso, um dos mais novos membros da Suprema Corte, afirmou que o objetivo do Judiciário é "corrigir" as escolhas populares. "Já estamos conseguindo separar o joio do trigo", ele disse, acrescentando que "o problema é a quantidade de gente que ainda prefere o joio". Ele justifica, assim, o seu voto pela prisão do ex-presidente Lula que, na sua visão, deve ser o "joio".

Barroso, uma das "péssimas" indicações dos governos petistas para a Suprema Corte, na opinião do ministro Gilmar Mendes, parece deslumbrado com o poder que passou a enfeixar a partir do momento em que sentou numa das cadeiras do STF e, a exemplo do juiz de primeira instância Sergio Moro, convenceu-se de que o povo não sabe o que quer e, por isso, precisa ser tutelado pelos homens de toga, os únicos que sabem o que é melhor para o país. Aquele dispositivo que abre o texto constitucional, estabelecendo que "o poder emana do povo e em seu nome será exercido", não vale mais nada. Diante disso, a julgar pelas declarações do ministro Barroso e pelo desprezo à Carta Magna, nem haverá mais necessidade de eleição: a escolha dos governantes, em especial do Presidente da República, ficará a cargo dos homens de preto, os mesmos que furaram o teto salarial com penduricalhos que o juiz Moro considera "direitos", ao contrário dos "privilégios" da visita a Lula. Esse é o Brasil em que vivemos hoje, onde os nomeados tem mais poderes do que os eleitos.


Constata-se que o país ficou refém do Judiciário e este, por sua vez, refém da Globo e das forças da direita manipuladas do exterior, responsáveis pelo golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff e prendeu Lula. Parceiro do golpe, o Supremo Tribunal Federal passou de ex-guardião da Constituição a avalista dos abusos cometidos pelas instâncias inferiores, particularmente pelo juiz Sergio Moro, com o objetivo de impedir o ex-presidente de voltar ao poder. Lula sempre foi o alvo da Operação Lava-Jato desde a sua criação, ficando evidente que o combate à corrupção, hoje invocada pelos magistrados para justificar qualquer abuso, não passou de uma farsa, uma cortina de fumaça para esconder os verdadeiros objetivos da operação: impedir Lula de ser Presidente outra vez. Era imperioso, portanto, que o Supremo permitisse a sua prisão, negando o seu habeas corpus e procrastinando a revisão da jurisprudência inconstitucional sobre prisão em segunda instância.

A parcialidade da Justiça brasileira, no entanto, tão escandalosa e desavergonhada que se tornou visível de todos os recantos do planeta, foi escancarada de vez com o tratamento diferenciado dado aos tucanos. O processo em que Geraldo Alkmin, candidato do PSDB à Presidência da República, é acusado do recebimento de propinas, que estava no Superior Tribunal de Justiça, foi encaminhado à justiça eleitoral paulista tão logo ele perdeu o foro privilegiado, ao deixar o governo de São Paulo para concorrer ao Planalto. O normal seria manda-lo para a Lava-Jato, mas a ministra Nancy Andrighi, do STJ, com esse gesto despudorado, revelou a intenção de blindar o ex-governador paulista, contrariando todas as expectativas. Enquanto se prende Lula por um crime inexistente, sem contas no exterior e sem malas de dinheiro, um dos ladrões da Petrobrás, Pedro Barusco, que confessou ter desviado mais de R$ 100 milhões, ganha a liberdade sem tornozeleiras. Vale tudo contra Lula para impedi-lo de voltar ao Planalto, ação já perceptível até por aqueles que não eram seus eleitores. E não pretendem deixá-lo em paz até matá-lo, porque não conseguirão impedir sua influência nas eleições.

Anotem: não vão descobrir quem, usando frequência privativa da Aeronáutica, sugeriu ao piloto do avião que o conduziu a Curitiba para lança-lo pela janela. Identificar o autor não é difícil, até mesmo por conta do seu sotaque, mas o assassino em potencial ficará impune, como também o autor dos disparos contra o ônibus da sua caravana. Já se sabe que os tiros partiram da fazenda de Leandro Bonotto, conhecido inimigo do MST que responde a vários processos, mas no final ninguém será punido. Quando Maju, a moça do tempo do Jornal Nacional, foi agredida por racistas, rapidamente a polícia identificou os autores. Afinal, ela é funcionária da Globo. Mas quando as agressões são contra Lula tudo vira mistério. Assim, também, não vão descobrir os autores dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco, do PSOL do Rio de Janeiro, e seu motorista, porque ela não era tucana. Na verdade, se aqui existisse pena de morte já teriam executado Lula, mas pretendem mata-lo, em última hipótese, por inanição, bloqueando todos os seus meios de subsistência. Sua prisão, portanto, ainda não é o fim da sua perseguição, até porque Moro já tem outros inquéritos para condená-lo.


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