Refinaria do Ceará terá mais três novas sócias chinesas



Uma das empresas será responsável pela planta de refino, enquanto as outras duas farão as térmicas do projeto


Por Armando de Oliveira Lima – 02/04/2018

A refinaria planejada pelo governo do Ceará deve contar com mais três sócias chinesas, além da já confirmada Qingdao Xinyutian Chemical, segundo revelou o secretário Antonio Balhmann (Assuntos Internacionais). Ele não falou o nome das companhias, mas afirmou que uma deve fazer a planta da unidade de refino, enquanto as outras duas empresas - pertencentes ao mesmo grupo empresarial -, vão se dividir no desenvolvimento da engenharia e da construção de três usinas térmicas de 300 megawatts (MW) que serão instaladas na própria refinaria.

O quanto cada uma deve ter de participação acionária dentro do complexo petroquímico ainda não foi definido, de acordo com o secretário. Ele aguarda uma nova agenda com os representantes das empresas, que deve ser definida ainda nesta semana para, então, assinar o memorando de intenções com as novas sócias na próxima ida à China.

Inicialmente, o governo cearense deve ter participação de 10% do negócio, relativo ao valor do terreno onde será construída a refinaria, mas que pode vender no futuro. O acerto da parceria do Estado no empreendimento se deu na assinatura do memorando de entendimento com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB, da sigla em inglês), em dezembro de 2017.

Valores e capacidade

O documento assinado pelo governador Camilo Santana e o vice-presidente do CDB, Cai Dong, estabelece que US$ 4 bilhões serão destinados à primeira fase da refinaria cearense, enquanto que US$ 500 milhões vão para a construção de um novo terminal petroleiro ou a expansão do Terminal de Múltiplas Utilidades (Tmut) do Porto do Pecém.

Já mais US$ 4 bilhões serão destinados para a segunda fase da refinaria e outros US$ 3 bilhões para a construção de uma indústria petroquímica.

A cada uma das fases planejadas para o empreendimento, espera-se que a capacidade seja medida em 150 mil barris de petróleo diariamente. Além disso, o governo estimou em 2,7 mil os empregos formais diretos gerados na fase inicial de construção da refinaria.

Trâmites institucionais

De saída para disputar mais uma eleição para a Câmara dos Deputados, Antonio Balhmann garantiu que deve acompanhar ainda alguns detalhes da negociação da refinaria - como a assinatura com as três novas sócias -, especialmente, a tramitação de duas propostas do Ceará acolhidas pelo grupo do Ministério de Minas e Energia (MME) que tratam do acordo Brasil-China.

A primeira delas diz respeito à reinclusão do projeto cearense entre as prioridades de negócios entre os dois países. Isso se deu, conforme o secretário explicou, a partir de uma apresentação na qual Balhmann destacou a instalação da refinaria dentro da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará. Esta foi justamente a segunda proposta acolhida, passando a ser "parte da política de governo".

"Em que favorece? Primeiro, é um fechamento político-institucional dos dois governos, estadual e federal, no esforço de fazer a refinaria. Segundo, tem impacto positivo no custo do financiamento, pois está dentro dos projetos prioritários significa encargos especiais sobre os juros", explica o secretário.

Tarefa de cearenses

Agora, a tarefa de concretizar essa inclusão que beneficia diretamente o projeto do Ceará está a cargo do próprio governador Camilo Santana e também do presidente do Senado Federal, senador Eunício Oliveira, também cearenses. Os dois, conforme acrescentou Balhmann, devem articular isso com o Ministério do Planejamento - responsável pela inclusão da lista de projetos prioritários no acordo Brasil-China - e o próprio presidente Michel Temer.

O objetivo é ter a refinaria cearense entre os projetos prioritários no próximo encontro dos Brics - grupo econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics) -, que deve acontecer ainda em setembro deste ano.


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