São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - sexta-feira 20 de Julho de 2018 - Ano: X - Edição: 3.563

STF é corresponsável por tudo o que aconteça a Lula




Ex-secretário de Estado de Direitos Humanos do governo FHC, o professor Paulo Sérgio Pinheiro criticou duramente a condenação e a prisão do ex-presidente Lula, em entrevista à TV 247; "Em termos do Brasil, é um desastre", afirma; “Eu li toda a sentença. É vergonhosa. Posso afirmar que esses ministros do STF são corresponsáveis por qualquer coisa que aconteça com o presidente Lula na prisão”, denuncia; ele também conta bastidores da Comissão Nacional da Verdade, da qual foi integrante, e ataca a intervenção federal no Rio de Janeiro; assista a íntegra


20 DE ABRIL DE 2018

O professor e ex-secretário de Estado de Direitos Humanos do governo Fernando Henrique Cardoso, Paulo Sérgio Pinheiro, concedeu entrevista à TV 247 nesta quinta-feira (19), na qual criticou duramente a prisão do ex-presidente Lula - "em termos do Brasil, é um desastre" -, contou bastidores da Comissão Nacional da Verdade, da qual foi integrante durante o governo Dilma Rousseff, e atacou a intervenção federal no Rio de Janeiro. "É uma ação estritamente eleitoreira", ressalta.

Paulo Sérgio, que também é advogado, contou ter lido toda a sentença de Sergio Moro incriminando Lula e a classificou como vergonhosa. “Não há nenhuma prova que o triplex no Guarujá seja de Lula, nem mesmo que esse imóvel tenha ligação com a Petrobras. Na verdade, o que ocorreu foi uma conspiração onde o Supremo Tribunal Federal participou gostosamente”, explicita. "O ardor em colocar o presidente Lula na prisão é para não perder tempo", afirma, sobre Moro.

Paulo Sérgio afirma que a condenação de Lula pelo STF é inconstitucional. “Esses ministros do Supremo são corresponsáveis por qualquer coisa que aconteça com o presidente Lula na prisão”, denuncia.

O ex-secretário enumera falhas recentes do Poder Judiciário. “Desde não exercer o papel fiscalizador do impeachment da presidenta Dilma ou em não censurar Moro quando ele se autointitulou lorde e gravou indevidamente a presidenta, ou seja, você tem uma escalada de fatores que projeta a prisão de Lula como política”, denuncia.

Paulo Sérgio considera que existe uma escalada do autoritarismo social no país. “Incrustado no racismo, nas discriminações, no antifeminismo e anti-povo”.

Abordado sobre o tema da polarização política entre o PSDB e PT, ele lamenta os rumos dos tucanos. “O apoio ao impeachment rompeu com toda a estrutura, principalmente com esse governo monstrengo de Temer. Eu brinco que, se o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tivesse ficado tranquilo, sem pedir recontagem de votos ou aquele escândalo todo, a presidenta Dilma teria terminado seu mandado e ele provavelmente seria o sucessor com 51 milhões de votos intocados. Essa tramoia do golpe foi um logro terrível”, analisa.

Arco democrático

Em relação ao destino político do país no contexto de crise, Paulo Sérgio aponta como saída o que chama de arco democrático, que para ele tem de ir além da esquerda. “Essa aliança só pode ser construída se a esquerda tomar a frente, sendo então a base desse arco, um pacto contra a intolerância política e o diálogo”, projeta.

Ana Amélia: estupidez reinante

Paulo Sérgio Pinheiro condena o episódio em que a senadora Ana Amélia (PP-RS) critica a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), por ter dado uma entrevista à TV Al Jazeera. Amélia, famosa pelas declarações ultraconservadoras, disse que Gleisi estaria pedindo apoio dos terroristas para apoiar Lula.

“Eu acho que no Brasil nunca se deve subestimar a estupidez reinante. Hoje qual é a estupidez do dia? Foi a entrevista que a presidenta do PT deu à Al Jazeera. Eles são totalmente idiotas, porque eles acharam que a Al Jazeera é a Al Qaeda", critica Paulo Sérgio. 

Ele alerta para o risco da intervenção militar realizada no Rio de Janeiro desde o início do ano. “Essa chamada aos militares é outro legado negativo do governo golpista para o Brasil. O poder militar foi reativado, o general do Exército nem é ministro e dá declarações cotidianas. Ele não deveria dizer nada, se estivéssemos em uma democracia, o general Villas Bôas seria preso ou demitido”, condena.


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