São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - quarta-feira 20 de Junho de 2018 - Ano: X - Edição: 3.533

ALEX SOLNIK | Temer é um cadáver político que precisa ser enterrado



Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

31 de Maio de 2018

   Temer é um cadáver político. E, como todo cadáver insepulto precisa ser urgentemente enterrado. Enquanto isso não acontece, ele empesteia e contamina a nação. Não haverá carpideiras em seu velório. Ninguém vai fazer a elegia.

   Dos presidentes dos quais me lembro, nenhum foi tão desmoralizado nas ruas quanto Temer nesses dias. Não é mais uma questão de esquerda ou direita, petistas ou patos amarelos. Ele é uma unanimidade nacional.

   Ontem, conversando com um taxista – e todos sabemos que é uma categoria conhecida pelo pensamento conservador - eu disse que o presidente não tinha autoridade para acabar com a greve e ele respondeu: que presidente? Trump? Nós temos presidente? Já teve eleição?

   Eu nunca tinha visto, nem nos tempos de Collor um presidente ser tão odiado, desprezado e xingado quanto Temer. Outro dia assisti a um fato inédito: um motorista de ônibus fazendo discurso inflamado contra o governo em plena viagem para todos os passageiros ouvirem.

   Os 87% que declararam apoiar o movimento dos caminhoneiros são os mesmos 87% que rejeitam Temer. Para eles, ser a favor dos caminhoneiros era ser contra o governo. E, ao que tudo indica, era um movimento contra o governo que pretendia encurralar até derrubar. E o objetivo foi alcançado. Temer virou um ectoplasma.

   Estou chamando de movimento porque acho que não foi greve, como os caminhoneiros declararam, nem locaute, como definiu o governo.

   Greve, historicamente, o trabalhador faz contra o seu empregador. Não foi o que ocorreu. Os caminhoneiros não fizeram greve contra seus patrões, mas contra o governo, que não é patrão deles.

   Grevistas, historicamente, negociam suas reivindicações com seus empregadores, mas dessa vez negociaram com o governo, com a Petrobrás.

   Embora ainda seja cedo para entender e descrever tudo o que aconteceu no Brasil nos últimos 12 dias, o episódio se assemelha mais a um motim do que a uma greve.

   Quem acabou com a paralisação não foi Temer. A cada vez que ele cedeu aos caminhoneiros, derrubando o preço do diesel, eles continuavam. Quem acabou com os bloqueios foi o Exército. 

   Temer é um cadáver político. Resta saber quem e como vai enterrá-lo.


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