Direita terá de carregar caixão de Temer | ALEX SOLNIK


Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

8 de Maio de 2018

   É puro chute cravar quem vai ganhar a eleição, tantas são as variáveis que se apresentam, mas uma coisa é certa: vai ganhar quem encarnar o oposto de Temer.

   Essa lógica eleitoral ainda não foi nem será revogada. Depois de um governo verdadeiramente desastroso do ponto de vista econômico, o que as pesquisas não se cansam de mostrar, não há quem convença os brasileiros de que o legal é continuar com essa gente no Planalto.

  
Claro que não é. Temer não se elege e não elege ninguém. Nem os que o ajudaram a derrubar Dilma votam nele.

   Os brasileiros vão votar contra 13 milhões de desempregados; vão votar contra o congelamento dos gastos públicos; vão votar contra a corrupção pornográfica; vão votar contra a insegurança pública; vão votar contra a venda do Brasil; vão votar contra um governo que foge da polícia.

   Vão votar na oposição a Temer e à sua agenda de direita.

   A direita está fadada a perder a eleição de 7 de outubro não só por não ter candidato competitivo, mas porque terá de carregar as alças dos caixões de Temer e do MDB, que é o maior partido de direita, porém ignorado ou odiado pela maioria dos eleitores.

   A direita não tem como ganhar sem o MDB devido à capilaridade nacional do partido; mas ao lado do MDB também não tem como ganhar devido à baixa popularidade do presidente ilegítimo.

   Ou seja: a direita não tem como ganhar. Nenhum candidato que defender o legado ou o programa de Temer terá como ganhar. Porque ninguém quer que o Brasil continue caminhando em direção ao abismo.

   É uma grande oportunidade, portanto, para a esquerda retomar as rédeas do país, se não se perder no jogo de intrigas e supostas traições em que começa a se envolver depois da prisão de Lula, em vez de deixar que o tempo mostre os melhores caminhos.

   Lula é o anti-Temer mais reconhecido pela população, por isso pontua as pesquisas, dentro ou fora da prisão, o que é um fenômeno espantoso, porque nem toda a blitzkrieg movida pela Globo  e satélites amigos conseguiu colocar na cabeça da maioria de seus telespectadores que Lula deve ser descartado da vida nacional.

   Dentro ou fora da prisão, Lula é a figura central dessa eleição. Sendo ou não candidato, eleito ou não também continuará sendo a figura central.

   Porque a esquerda está condenada a ganhar em outubro e, seja quem for o candidato vencedor, Lula vai desempenhar um papel fundamental em seu governo. E na vida brasileira.


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