São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - domingo 15 de Julho de 2018 - Ano: X - Edição: 3.558

Documentos indicam que Roberto Marinho fundador da Globo foi um dos principais articuladores da Ditadura Militar no Brasil


Arquivos do Departamento de Estado americano mostram participação dele em decisões importantes ao lado dos líderes militares


11/05/2018 - Um texto publicado no site JusBrasil revela o teor de documentos do Departamento de Estado Americano durante a Ditadura Militar. Os documentos mostram como o jornalista e empresário Roberto Marinho (1904-2003), fundador da Rede Globo, atuava como um dos principais articuladores da Ditadura no Brasil, reunindo-se com seus principais líderes, interferindo na sucessão e indicando ministros.

Num telegrama ao Departamento de Estado americano, o então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon, deixa clara, segundo o site, a interlocução privilegiada do proprietário da Rede Globo com líderes do movimento militar em decisões importantes.

No dia 14 de agosto de 1965, ano seguinte ao golpe, Lincoln Gordon, enviou a seus superiores um telegrama classificado como altamente confidencial — agora já aberto a consulta pública — em que contava um encontro mantido na embaixada com Roberto Marinho. A conversa, segundo Gordon, versava sobre a sucessão entre os generais militares.

Segundo relato do embaixador, Marinho estava “trabalhando silenciosamente” ao lado de um grupo composto pelo general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar; o general Golbery do Couto e Silva, chefe do SNI (Serviço Nacional de Informação); Luis Vianna, chefe da Casa Civil, que discutiam o futuro do marechal Castelo Branco no comando do País.

No início de julho de 1965, a pedido do grupo, Roberto Marinho teve um encontro com Castelo Branco. De acordo com Gordon, a ideia era que o general prorrogasse seu mandato o que não ocorreu.

Em suas articulações, Roberto Marinho também sugeria a indicação de Juracy Magalhães para o Ministério da Justiça.

A indicação foi aceita e Magalhães instaurou a censura à imprensa.

No dia 31 de julho, Roberto Marinho teria avisado Castelo Branco que, em caso da volta das eleições diretas, a oposição teria grande chances de vitória.

Lincoln Gordon alertou ainda ao Departamento de Estado americano que a movimentação de Marinho deveria ser mantida em segredo.


Reportagem do site Jus Brasil traz documentos sobre participação de Marinho na Ditadura Militar
R7


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