São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - domingo 20 de maio de 2018 - Ano: X - Edição: 3.502 - Visualizações: 22.150.328 - Postagens: 33.408

Em meio a acusações de racismo em nova novela, Globo mostra cadeia cheia de negras



11/05/2018

Uma cena do antepenúltimo capítulo de O Outro Lado do Paraíso provocou reações iradas nas redes sociais. No momento em que Fabiana (Fernanda Rodrigues) foi presa, várias colegas de cela a perturbaram e a trataram com desprezo. Com exceção da dondoca, todas as presidiárias eram negras. A sequência, considerada racista por telespectadores, foi exibida em meio à polêmica envolvendo Segundo Sol, que se passará na Bahia e não tem negros protagonistas.

A cena, exibida na quarta-feira (9) mostrou a chegada de Fabiana à prisão. Enquanto era levada à cela, ela já ouvia gritos e olhares curiosos e maliciosos das outras presas. As mulheres, de aspecto maltratado, chamaram a vilã de patricinha e começaram a tirar sarro dela, que ficou desesperada. Fabiana terminou sua participação na novela gritando, numa cela rodeada por prisioneiras negras. 

Durante e depois da exibição do capítulo, telespectadores chamaram a atenção para o fato de a Globo só colocar vários atores negros em uma cena quando ela acontece na prisão. A sequência em que Vinicius (Flávio Tolezani) foi assassinado numa penitenciária também teve maior participação de figurantes negros. Mas não a totalidade, como no caso de Fabiana.

“Só tinha negras na cela da cadeia na novela O Outro Lado Do Paraíso… Não sei se sinto mais ódio ou mais nojo dessas novelas racistas da Globo!”, disse uma usuária do Twitter identificada como Letícia Mariano. “Enquanto falta negro no elenco da nova novela das 21h, Segundo Sol, na cadeia de O Outro Lado do Paraíso é o que mais tem”, alfinetou o internauta Alzyr Saadehr.

Procurada por email e por telefone, a Globo não emitiu pronunciamento oficial sobre o assunto.

Racista ou não, a encenação da cadeia feminina de O Outro Lado do Paraíso foi representativa da realidade. De acordo com o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, divulgado pelo Ministério da Justiça em 2015, duas de cada três presidiárias brasileiras são negras. (…)


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