Morreu o empresário J. Hawilla sócio da Globo envolvido em escândalo de propinas no futebol



O advogado, jornalista e empresário J. Hawilla morreu por causa de problemas respiratórios; descendente de libaneses, J. Hawilla começou na carreira de jornalista esportivo na década de 1960; nos anos 80, foi para o ramo empresarial e comprou a até então desconhecida Traffic, que se tornou a maior agência de marketing esportivo do País; sócio da Globo, o empresário esteve envolvido em escândalos de pagamento de propina


25 DE MAIO DE 2018

O advogado, jornalista e empresário J. Hawilla morreu na manhã desta sexta-feira (25), aos 74 anos, por causa de problemas respiratórios. Ele estava internado desde segunda-feira (21) no hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Descendente de libaneses, J. Hawilla começou na carreira de jornalista esportivo na década de 1960. Nos anos 80, foi para o ramo empresarial e comprou a até então desconhecida Traffic, que fazia publicidade em pontos de ônibus de grandes cidades. Sob o comando dele, a empresa passou a explorar a propaganda dentro de campos de futebol e se tornou a maior agência de marketing esportivo do País.

Fora dos gramados, J. Hawilla fundou a TV TEM, que surgiu com a compra das afiliadas da Rede Globo em Sorocaba, Bauru e Rio Preto, e com a criação da emissora em Itapetininga. Também foi proprietário da rede de jornais Bom Dia, com presença em várias regiões do Estado.

O empresário deixa esposa, três filhos e seis netos.

Escândalo

Reportagem do Centro de Investigação Jornalística do Chile (Ciper), de 2016, revela um esquema de corrupção montado pelo ex-presidente da Confederação Sul Americana de Futebol (Conmebol) Nicolas Leoz para venda dos direitos de transmissão da Copa Libertadores da América.

A operação envolveu o pagamento de propina pela empresa T&T, formada por meio da Mossack & Fonseca, e cujos sócios são as empresas Argentina Torneios e Competições e a Traffic, de propriedade de Hawilla, sócio da Globo.

Segundo o Ciper, o empresário confessou à Justiça dos Estados Unidos que pagou propina ao então presidente da Conmebol Nicolas Leoz e outros executivos da entidade para obter os direitos para transmitir a Copa Libertadores da América entre 1987 a 1995. A operação garantiu à Conmebol um total de US$ 262 milhões.

Neste ano, de 2018, uma reportagem publicada no site do Globo Esporte, da Globo, apontou como Hawilla pagava propinas no que ela chama de "Caso Fifa". O texto aponta grampos que revelam "como funcionava distribuição de propina no 'Caso Fifa'" e ainda "áudios e documentos" que "mostram que empresários subornaram dirigentes para obter contratos".

"Os grampos de J. Hawilla e centenas de documentos relativos ao caso mostram o dono da Traffic e seus interlocutores discutindo abertamente o pagamento de propina para cartolas em troca dos direitos comerciais da Copa do Brasil e da Copa América, entre outras competições", diz um trecho da matéria.


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