São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - quarta-feira 20 de Junho de 2018 - Ano: X - Edição: 3.533

AQUILES LINS | O presidenciável que virou chuchu de fim de feira



Aquiles Lins é editor do 247. Jornalista, pós-graduado em Comunicação e mestrando em Ciência Política pela UFSCar

7 de Junho de 2018

Geraldo Alckmin é o exemplo ululante, ambulante e incontroverso dos danos que uma opção de poder que passe à margem da democracia pode provocar num agente político, bem como no seu partido, o PSDB.

Em apenas quatro anos, o tucano saiu da confortável condição de governador de São Paulo, reeleito no primeiro turno com 12,3 milhões de votos, três vezes mais que o segundo colocado, para uma situação de quase cadáver político.

Exatos 60 dias depois de transmitir o comando da máquina pública paulista para Márcio França (PSB), mas mantendo a presidência do PSDB e o comando de toda sua estrutura partidária, Geraldo Alckmin não consegue passar de um pigmeu eleitoral.

Do alto dos seus 3% de intenções de voto, segundo a última pesquisa Vox Populi, o ex-governador deu piti nessa segunda-feira, 6, durante jantar com dirigentes tucanos que foram lhe mostrar seus resultados pífios até agora. Conforme relato do jornalista Igor Gielow, na Folha, Alckmin elevou a voz e sugeriu que escolhessem outro nome para a vaga de presidenciável.

Diante de seu voo de pato, Alckmin se vê constrangido à possibilidade de ser candidato a vice-presidente numa chapa encabeçada por Marina Silva (Rede). O alfaiate do patchwork golpista é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que nunca engoliu Alckmin e desde muito antes tenta outra opção de candidato para liderar a agenda da direita. Já foi de Luciano Huck, já flertou com Joaquim Barbosa. Naufragaram. Agora tenta a cooptação definitiva de Marina Silva, que há pelo menos quatro anos adentrou no ninho dos tucanos, de mão beijada por Aécio Neves, a quem declarou voto no segundo turno das últimas eleições.

O leitor um pouquinho mais atento deverá se lembrar que Geraldo Alckmin não embarcou de pronto no impeachment da presidente legítima e honesta Dilma Rousseff, um golpe parlamentar levado a cabo por Aécio, mau perdedor e anti-democrático, sob a tutela intelectual de FHC.

Em novembro de 2014, logo após ser reeleito para governar São Paulo pela quarta vez, Alckmin rechaçou as primeiras manifestações pelo impeachment de Dilma. "Nós acabamos de sair de um processo eleitoral em dois turnos. Não tem nenhum fato que justifique isso [impeachment presidencial]. Acho que temos agora é que trabalhar. Quem ganhou a eleição é governar. E quem perdeu é fiscalizar, exercer o papel democrático, patriótico de fiscalização", disse ele num recado cristalino a Aécio.

Sua resistência inicial a adentrar no projeto de Aécio, FHC, Eduardo Cunha e Michel Temer não se deu por ele ser um democrata e respeitar a vontade das urnas. O cálculo político de Alckmin passava por deixar o segundo governo Dilma sangrar, em boa medida com os próprios erros, ao adotar parte da agenda neoliberal após reeleita, e surgir depois com a "proposta salvadora" de recuperação do País. Mas as articulações dentro do PSDB e PMDB foram mais fortes e ele se viu obrigado a vestir a camisa de golpista.

De lá para cá, Geraldo Alckmin assistiu ao País degringolar, enquanto ele declarava apoio às atrocidades subsequentes ao golpe contra Dilma Rousseff. Isto é, a mudança do regime de partilha do pré-sal, que feriu de morte a soberania do País, o consequente desmonte da cadeia produtiva de óleo e gás, a Emenda Constitucional 95, que congela por 20 anos os gastos essenciais do País, como Educação e Saúde, indexando-os à inflação, a reforma trabalhista, que tornou letra morta a CLT e colocou no desemprego e precariedade milhões de trabalhadores.

O troco que está sendo dado agora pelo povo: Alckmin vai apodrecendo na prateleira eleitoral dos golpistas e passou de picolé de chuchu a chuchu de fim de feira.


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