São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - terça-feira 17 de Julho de 2018 - Ano: X - Edição: 3.560

Religião a serviço do atraso: Igreja evangélica promove palestras antipetistas de Dallagnol



Por Joaquim de Carvalho - 17 de junho de 2018

No dia 26 de junho, o procurador da república Deltan Dallgnol estará na Igreja Batista Memorial Alphaville (IBMAlphaville) para realizar palestra sobre sobre Lava Jato, eleições e combate à corrupção. O evento é gratuito.

Chama a atenção no material de divulgação da palestra a participação do Instituto Mude.

O que seria?

Uma pesquisa no Google sobre a origem do instituto mostra que foi fundada em setembro de 2016, quando começou a polêmica sobre as palestras do coordenador da Lava Jato.

Alguns meses depois, a Folha de S. Paulo noticiou que um site na internet promovia as palestras de Dallagnol, com cachê fixado entre R$ 30 mil e R$ 40 mil.

Na época, Dallagnol disse que doava o cachê para o hospital do câncer no Paraná. Porém, a instituição relatou o recebimento de R$ 219 mil, metade do que ele teria recebido pelas palestras em 2016.

O Mude é uma instituição que guarda muitos pontos em comum com Dallagnol, a começar pelo endereço de sua sede: rua Amazonas de Souza Azevedo, 134, Curitiba.

Este é o endereço da Igreja Batista de Bacacheri, da qual Dallagnol é membro. A diretora executiva do Mude é Patrícia Ferhmann, responsável também pelo departamento de comunicação da Igreja.

O presidente do Mude é Fábio Alex de Oliveira, membro da igreja, como registra a revista da instituição, ao lhe dar os parabéns pelo aniversário.

Mude está empenhado na campanha pelas dez medidas da corrupção e promove eventos em que Lava Jato é um tema predominante.

A participação do Mude nas palestras de Dallagnol pode não ter nenhuma implicação maior, exceto o fato de que ambos estão no que pode ser considerada uma cruzada.

Formalmente, é uma cruzada contra a corrupção, mas o resultado produzido foi a queda de um governo eleito e a prisão do seu principal líder, Lula.

A situação muda de figura, entretanto, se se constatar que os cachês pela palestra de Dallagnol são pagos através da entidade.

Seria um tipo de lavagem de dinheiro, já que, para Dallagnol, receber diretamente de empresas ou instituições privadas caracterizaria um conflito ético.

Pelas regras do Ministério Público Federal, os procuradores podem fazer palestra, desde que o objetivo seja científico ou educacional.


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