São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - terça-feira 17 de Julho de 2018 - Ano: X - Edição: 3.560

Sai o “tapetão”, entra o “barrigão” no STF



POR FERNANDO BRITO · 29/06/2018

O STF virou a corte do “barrigão”: a que empurra com a barriga até que os fatos estejam consumados e que decidir para lá ou para cá não faça muita diferença.

E das manobras indecentes.

O recurso de Lula contra o envio de seu pedido de efeito suspensivo da condenação do TRF-4 ao Plenário foi dirigido à 2ª Turma que tem a compet~encia natural para julgar o apelo, exceto quando se trata de chefe de Poder da República.

O “juiz” mais importante da Corte, o “Dr. Sorteio Eletrônico”, porém, colocou todos os ministros na lista e, tal como aconteceu com Edson Fachin ao ser escolhido relator da Lava Jato, a escolha recaiu sobre o integrante mais novo do Tribunal, por ter menos processos atribuídos.

Moraes é aquele, como se recordam, que animava seus correligionários do PSDB prometendo prisões “a jato”.

Tudo, claro, previsível.

Como é previsível que Moares negará, rápido, o pedido de liminar para a soltura do ex-presidente.

Tem-se aí os ingredientes da decisão, que a presidente do STF, Cármem Lúcia, cozinhará no caldeirão da pauta que ela própria decide, esticando o prazo – já não o colocou na pauta de agosto, quando os rapazes e moças voltam de suas férias escolares – e, quem sabe, deixando para setembro, quando ela própria deixará o cargo e se integrará à 2ª Turma, se não houve jeito de liquidar, sem muito alarde, antes disso.

Só o que pode “desandar”, num prazo curto,  o calceirão onde tentam – até agora, inutilmente – cozinhar o galo Lula é o pedido de liminar a ser relatado por Gilmar Mendes para impedir prisões sem a sentença ter transitado  e – ao menos espero eu, para que não se alege o excesso do pedido – sem fundamentação na ordem de execução antecipada da pena.

O jogo de esperteza continua e a Suprema Corte brasileira se parece cada vez mais com aqueles tribunais de justiça desportiva, que o povo passou a chamar de “tapetão”.

Neste caso, com as protelações, chicanas e arranjos para manter Lula preso, talvez se possa chamar de “barrigão”.


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