ALEX SOLNIK | Alckmin ficou mais parecido com Bolsonaro



Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

3 de Agosto de 2018

Vai ser difícil, daqui para a frente distinguir as candidaturas de Alckmin e de Bolsonaro. Estão ficando cada vez mais parecidas. A história de que ele seria o candidato do centro é uma balela.

No governo de São Paulo o tucano se aliou ao PSB. Agora mudou radicalmente de rumo. Resolveu (ou seus aliados resolveram) pintar a chapa com as cores da extrema-direita ao nomear para vice a senadora gaúcha Ana Amélia.

Durante a farsa do impeachment ela foi a mais truculenta das farsantes. Sempre defendeu as medidas mais duras e inconstitucionais. Estimulou ataques de "relho" à caravana de Lula ao Sul.

Não sei se é uma boa para ele. Acho que não. Uma decepção para os eleitores tucanos que tinham medo de votar em Bolsonaro. Se Alckmin é cada vez mais um Bolsonaro com cara de coroinha, votar nele ou no ex-capitão vai dar na mesma.

Nessa tentativa de procurar o eleitorado de extrema-direita Alckmin vai perder os tradicionais eleitores tucanos e dificilmente conquistar os extremistas. Estes já são cativos do ex-capitão, que é muito mais carismático que ele. E os eleitores de Bolsonaro são jovens que não se identificam com o jeitão antiquado de Alckmin.

Em entrevista, ontem, ao pelotão de fuzilamento da Globo News, ele recitou Olavo Bilac, citou frases em latim e apelou a outras antiguidades. O ataque aos trabalhadores e estudantes ficou evidente. Ele prometeu (ou ameaçou) acabar com o Ministério do Trabalho, com o ensino superior gratuito e liberar armas no campo, copiando Bolsonaro. Sem parar de exibir o sorriso falso que não tira do rosto.

A desculpa das armas é a segurança. Mas, como se viu na caravana petista ao Sul do país elas também servem para dar tiros em ônibus de adversários políticos.

A senadora, que tem, desde os tempos em que ajudou a derrubar a presidente Dilma o costume de se vestir de verde-e-amarelo será a porta-voz do discurso extremista e agressivo contra Lula e a esquerda, liberando Alckmin dessa tarefa.

Ela será o Bolsonaro do Alckmin.


0 comentários:

[ Deixe-nos seu Comentário ]