Como Lula cresce? Redes sociais colocam em xeque poder da Globo


Stuckert

 26 De Agosto De 2018 | Por: Ricardo Kotscho

Como pode um candidato preso há mais de quatro meses crescer nas pesquisas mesmo contra a vontade de toda a grande mídia brasileira?

Esta é a pergunta que os cientistas políticos e especialistas da TV poderiam se fazer depois de uma semana em que Lula chegou à faixa dos 40% das intenções de voto e vê os adversários se distanciando no espelho retrovisor.

Faz quatro anos que o ex-presidente só aparece no noticiário envolvido com denúncias da Lava Jato, detonado por reportagens, colunistas e editorialistas, anunciando todos os dias o seu fim e o do PT.

E, no entanto, já são agora obrigados a reconhecer que o PT deve ir para o segundo turno com ou sem a fotografia de Lula na urna eletrônica.

O que aconteceu? Como explicar?

Só encontro uma razão: nesta campanha eleitoral, pela primeira vez, as redes sociais estão colocando em xeque o poder dos grandes conglomerados de comunicação que dominavam a opinião pública.

Há um novo ator nesta história, que é o próprio eleitor, agora com acesso a opiniões divergentes nas redes sociais, em que ele pode ser, ao mesmo tempo, emissor e receptor de informações.

Em oposição ao pensamento único que domina a imprensa tradicional já há muitos anos, agora há milhares de blogs e sites com opiniões divergentes, que contestam as suas verdades absolutas servidas no prato feito dos vazamentos da Lava Jato.

Há centenas de bons jornalistas fora do “mainstream” que investigam por conta própria e publicam nas redes sociais versões bem diferentes daquelas impostas pelos antigos donos da verdade e da cabeça do brasileiro.

O crescimento de Lula e do PT pode ser resumido numa velha verdade que agora está se tornando realidade: “O povo não é bobo”.

Parece que a maioria da população já se deu conta que Lula só está preso para não disputar a eleição. E os outros políticos denunciados e delatados, o que aconteceu com eles?, cada vez mais gente está-se perguntando.

É a reação de um povo que se sentiu enganado este tempo todo, e está indo à forra, desprezando os candidatos gerados pelo golpe de 2016, que não conseguem desempacar nas pesquisas.

Os quer odeiam Lula e o PT deram uma banana para os antipetistas do establishment e cerraram fileiras em torno do capitão Bolsonaro, algo que estes golpistas jamais poderiam imaginar.

Antigamente, na era pré-internet, quando alguém fazia um comentário político sem pé nem cabeça, logo se perguntava onde tinha visto ou ouvido aquela notícia.

Outro dia, peguei um motorista de táxi que falava mais barbaridades por minuto do que Jair Bolsonaro e Cabo Daciolo juntos.

Queria descobrir onde se informava para ter tanta certeza sobre o que dizia, mas quando consegui lhe perguntar, ele ficou bravo: “Isso é o que eu penso, não tá bom assim? Não posso?”

Pois é, agora cada um é livre para pensar e dizer o que quiser, sem ter nenhum compromisso com os fatos reais, como tantos candidatos a presidente.

O chamado Quarto Poder agora não é mais exclusividade de meia dúzia de impérios da notícia, que se achavam no direito de determinar os rumos do país.

Somos hoje milhões de “formadores de opinião”, à direita e à esquerda, e é isso que está deixando os velhos analistas malucos, sem saber o que dizer cada vez que sai uma nova pesquisa.

Este é, a meu ver, o grande “fato novo” que tanto procuravam nesta eleição: informações e opiniões se democratizaram na grande rede, que não tem donos e ninguém mais consegue controlar.

Vida que segue.


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