Editora Abril falida: 570 empregos ‘deletados’. O prêmio ao ‘jornalismo’ golpista da VEJA



POR FERNANDO BRITO · 07/08/2018

A Editora Abril anunciou hoje o pacote de demissões de sua falência, digo, reestruturação da empresa, depois que os Civita netos entregaram o comando da casa aos bancos credores.

São 570 empregados, dos quais 171, que não se perca pelo número, são jornalistas. Informa o Poder360 que “na revista Veja, o carro-chefe da empresa, a previsão é de que saiam 30 dos atuais 80 jornalistas”.

De cada três cadeiras, uma fica vazia.

Em dezembro passado, já uma centena de “colaboradores” – chamam assim, agora, aos empregados – já tinha ido para o olho da rua e a empresa ainda quis pagar parceladas as indenizações.

Vê-se aí porque eles gostam tanto da reforma trabalhista, não é?

A alegação é a de que a empresa vai “concentrar seus recursos humanos e técnicos em suas marcas líderes”, entre elas a desmoralizadíssima Veja.

Bobagem, como é que vai  “concentrar seus recursos humanos e técnicos” numa revista que, de 80 jornalistas, passa a ter 50?

A Abril não é a primeira nem será a última das grandes empresas de comunicação a morrer, porque erraram na visão de futuro – aliás, gastam milhões contratando marqueteiros para escrever platitudes sobre isso – e não souberam acompanhar as mudanças, embora vivam dizendo com empáfia o que é “moderno” e o que é arcaico.

No caso da empresa dos Civita, tudo foi agravado pela política econômica pela qual eles fizeram, literalmente, o diabo, até derrubar um governo eleito.

Mas este “passaralho” – perdoem, mas é o termo que usamos nas redações para estas demissões em massa – vai continuar voando na arvorerzinha da Abril.

É duplamente triste, seja porque ali se editaram algumas das melhores revistas e coleções de livros do país, seja porque numa categoria pequena como a dos jornalistas, esse número de baixas é um verdadeiro massacre.

No início dos anos 80, de longe, quando acompanhávamos a morte do carioca Gazeta de Notícias, contava–se a história de um contínuo que, pelos cortes de pessoal, tinha virado também telefonista, responder às ligações que começçavam com um “alô, é da Gazeta? com uma frase filosófica:

-Por enquanto…


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