RIBAMAR FONSECA | Desobediência à determinação da ONU desnuda de vez a ditadura


Foto: Brasil 247

Ribamar Fonseca é Jornalista e escritor
25 de Agosto de 2018

A determinação das Nações Unidas para que Lula seja liberado para concorrer às eleições presidenciais deste ano, que foi destaque na imprensa mundial mas ignorada pela grande mídia nacional, vem sendo cozinhada pelas autoridades brasileiras, com declarações infantis que tentam desqualificá-la e minimizá-la. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que a ONU não deve se intrometer no Brasil, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o antecedeu naquela pasta, invocou como argumento uma observação da sua avó, segundo a qual "cada macaco no seu galho". Os dois, pelo visto, estão no galho errado, o que levou um diplomata a aconselhá-los ao estudo do Direito Internacional, para que não mais digam bobagens. O fato é que se não cumprir a determinação da ONU, para que o ex-presidente seja respeitado como candidato e tenha todos os direitos assegurados, o Brasil, entre outras coisas, vai perder o respeito e a confiança do mundo e passará a ser tratado como realmente é: uma ditadura. A comunidade internacional não mais terá dúvidas de que Lula é, efetivamente, um preso político.

Os perseguidores de Lula, sobretudo no âmbito do Judiciário, estão de tal modo enceguecidos pelo inexplicável ódio ao ex-presidente que ainda não se deram conta de que quanto mais o agridem, empenhados em mantê-lo preso para impedir que seja eleito novamente para o Palácio do Planalto, mais ampliam a sua preferência junto ao eleitorado, conforme atestam as pesquisas. Apesar desse esforço, que envolve a mídia e parte do Judiciário em todos os níveis, está mais do que claro que não conseguirão impedi-lo de chegar ao poder, seja pessoalmente ou através de Fernando Haddad, porque o povo assim o deseja. Na verdade, transformaram o país numa grande panela de pressão, com decisões injustas e irresponsáveis que elevam gradativamente a temperatura, o que evidencia o risco de uma explosão a qualquer momento. O brasileiro é, reconhecidamente, um povo ordeiro, mas paciência tem limites. Como não aconteceu a esperada rebelião com a prisão de Lula, os seus perseguidores acreditam que nada mudará com a sua permanência no cárcere e, portanto, podem abusar a vontade. Não custa lembrar, porém, a rebelião francesa.

Os atuais donos do poder não atentaram ainda para as visíveis mudanças no comportamento da população, como resultado do avanço da Internet, que proporcionou novas fontes alternativas de informações. Grande parte do povo libertou-se da dependência da mídia tradicional, deixando de ser manipulado pelas quatro famílias proprietárias dos maiores veículos de comunicação de massa do país, graças aos blogs, sites, etc, que divulgam o que a grande imprensa esconde. É precisamente através da Internet que o povo tem tomado conhecimento das injustiças praticadas contra o ex-presidente e, inclusive, da determinação da ONU para que sua candidatura seja liberada. Não fora, portanto, a Internet e Lula já teria desaparecido do mapa político do país, massacrado diariamente pela mídia numa campanha sistemática para destrui-lo. Ao contrário, porém, cresce todo dia como o candidato preferido do eleitorado para voltar à Presidência da República. E só não está melhor porque parte da população, imbecilizada pela Globo, não entrou ainda na nova era da Internet e, portanto, continua com sua mente controlada pela grande mídia. São estes que formam grande parte do eleitorado de Bolsonaro, pois perderam a capacidade de raciocínio.

À medida que se aproxima a data da eleição a Direita, através dos seus representantes, amplia o seu arsenal de manobras para barrar a candidatura do líder petista. Nada menos de 16 contestações à sua candidatura já deram entrada na Justiça Eleitoral, parte delas de iniciativa dos seus concorrentes, o que reflete o desespero desse pessoal diante do aumento da possibilidade de Lula ser eleito inclusive já no primeiro turno. É enorme o esforço, especialmente da televisão, para ignorar o ex-presidente, não noticiando os fatos que o envolvem, mas nem sempre conseguem escondê-lo, notadamente quando todas as pesquisas indicam a sua liderança na corrida sucessória. Por conta disso, ele não deverá participar de nenhum debate televisivo, porque os donos das emissoras de TV acreditam que desse modo estarão contribuindo para derrotá-lo, levando o povo a esquecê-lo. Essa é uma batalha que eles já perderam, porque Lula é lembrado a todo momento, em toda parte, com manifestações espontâneas, como aconteceu esta semana na estação do metrô da Carioca. Nos mais distantes rincões do país, especialmente no Nordeste, o ex-presidente é assunto obrigatório de todas as conversas.

A expectativa, agora, é sobre a decisão do Tribunal Superior Eleitoral, se homologa ou não a candidatura do líder petista, cumprindo ou não a determinação da ONU. Enquanto juristas do mundo inteiro enfatizam a obrigatoriedade de obediência à decisão das Nações Unidas, porque o Brasil é signatário dos seus tratados, aqui algumas autoridades que costumam ser rápidas no gatilho quando o objetivo é prejudicar Lula, como a Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, por exemplo, tem mantido um silêncio sepulcral sobre o assunto. Embora circule intramuros a informação de que alguns ministros do Supremo consideram legal a determinação do organismo mundial, entendendo que a sua decisão deve ser cumprida, eles preferem o silêncio, provavelmente com receio de desagradarem à mídia golpista. Mas pelo menos um deles será obrigado a manifestar-se, o ministro Luis Barroso, que é o relator no TSE dos pedidos de impugnação da candidatura do ex-presidente. Ele nem poderá tergiversar, porque já afirmou durante uma palestra, cujo vídeo circula nas redes sociais, que decisão da ONU tem força de lei. Vamos aguardar.


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