ALEX SOLNIK | Nenhum atentado faz bem ao país



Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

7 de Setembro de 2018

A princípio pensei que fosse uma fake News. Mas vi o filme e mudei de opinião. Bolsonaro aparece carregado nos ombros de alguém na rua Halfeld, em Juiz de Fora e de repente surge a mão que dá uma estocada na sua barriga. Não dá para ver o objeto cortante, mas Bolsonaro acusa imediatamente. Não se vê sangue. Ele sai carregado por seguranças.

Não foi um corte profundo nem fatal, mas nenhum atentado faz bem ao país. Nem contra um nazista. Em 1930, o atentado contra o vice de Getúlio, João Pessoa derrubou Washington Luís e detonou a revolução de 30. Em 1954, o atentado da rua Toneleros derrubou Getúlio e o tirou da vida.

É cedo para avaliar as consequências políticas do que aconteceu. Mas é evidente que Bolsonaro vai se passar por vítima. E vai tentar culpar seus adversários.

É uma boa hora para ele e todos os candidatos firmarem um pacto pela paz na campanha. Que ele se comprometa a abandonar manifestações agressivas como simular fuzilamentos e chutar bonecos de outros candidatos. Que Ana Amélia peça desculpas por ter incitado usar o relho contra petistas. Que a campanha continue de forma civilizada.


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