AQUILES LINS | O dia em que o País se levantou contra o fascismo


Rovena Rosa/Agência Brasil

Aquiles Lins é editor do 247. Jornalista, pós-graduado em Comunicação e mestrando em Ciência Política pela UFSCar

30 de Setembro de 2018 

Este sábado 29 de setembro de 2018 será registrado na história como o dia em que o povo foi às ruas do País para dizer não ao fascismo e para reafirmar a democracia. Liderado por mulheres, reunidas nas redes sociais, o movimento #EleNão registrou protestos contra o candidato Jair Bolsonaro em 62 cidades do País e outras 66 no exterior.

Foram manifestações pacíficas, suprapartidárias, que reuniram todos os segmentos da sociedade para dizer que o Brasil não quer um presidente que defende a ditadura militar, que faz apologia à tortura, que não respeita mulheres, negros, gays, índios, defende a continuação da agenda de Michel Temer e, principalmente, que demonstra desprezo pelas regras da democracia.

Esta demonstração gigantesca de repúdio encontra um Bolsonaro convalescente, estagnado nas pesquisas e com rejeição de 46% dos eleitores, dos quais as mulheres são 52%, segundo o Datafolha. No segundo turno, Bolsonaro perde para o candidato Fernando Haddad por 45% a 39%. Confirmada, será a quinta eleição presidencial consecutiva vencida pela PT.

Majoritariamente a eleição de Luiz Lula Inácio da Silva, que está preso e aos olhos do mundo é denunciado como vítima de uma perseguição política jamais vista desde a ditadura. Cassaram-lhe os direitos políticos, numa afronta à ONU, e da cela da Polícia Federal em Curitiba ele será eleito na pessoa de Fernando Haddad.

O surgimento e a ascensão de Jair Bolsonaro de certa maneira foram importantes para mostrar ao País que as ideia que ele representa estão amalgamadas numa parcela considerável da população. Mais importante, entretanto, é que o Brasil indicou nesse sábado que fará sua opção pela manutenção da democracia, pelo reconhecimento do protagonismo das mulheres, pelo repúdio à opressão de minorias, ao armamento desenfreado antes de se resolver o problema da fome, da desigualdade. O próximo dia 28 de outubro será o nosso marco civilizatório.

A maior manifestação popular de 2018 foi contra o fascismo e a favor da democracia. Foi um dia para sentir orgulho do Brasil. 

PS: Numa tentativa patética de negar a realidade, bolsonaristas estão acusando a fotografia acima, que mostra o Largo do Batata lotado, de ser do carnaval, outros dizem ser da Copa. A imagem, de Rovena Rosa, da Agência Brasil, estádisponível neste link.


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